quarta-feira, 31 de julho de 2013

Joaquim Barbosa investigado pela compra de apartamento em Miami

 Representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Conselho Nacional do Ministério Público, Almino Afonso cobrou ontem investigação sobre a compra de apartamento em Miami pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.
Conforme a Folha revelou, Barbosa criou a Assas JB Corp., no Estado da Flórida (EUA), para a aquisição do imóvel em 2012, o que lhe permite benefícios fiscais.

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Seu apartamento, de 73 m², tem quarto, sala, cozinha e banheiro. O valor do imóvel é estimado no mercado entre R$ 546 mil e R$ 1 milhão.
Durante sessão do Conselho, Afonso disse que o fato de Barbosa ser proprietário da empresa está em desacordo com a Loman (Lei Orgânica da Magistratura).
Pela norma, um magistrado não pode ser diretor ou sócio-gerente de uma empresa, apenas cotista.
Almino Afonso também defendeu que o Ministério Público apure o fato de o ministro do STF ter fornecido o endereço do imóvel funcional onde mora como a sede da empresa.
Decreto que rege a ocupação de móveis funcionais não permite o uso do bem para fim que não seja de moradia.
"Agora virou moda e até mesmo ministro da Suprema Corte compra apartamento no exterior usando uma empresa como se isso fosse comum, apesar da Loman não aceitar. Por certo isso será objeto de apuração do MP", disse.
OUTRO LADO

Procurada pela reportagem, a assessoria de Joaquim Barbosa informou que todas as explicações sobre a compra do imóvel já foram dadas, e que o mesmo foi adquirido em conformidade com a legislação norte-americana. 


terça-feira, 30 de julho de 2013

Raí e Zeca Camargo assumem o namoro

Raí saiu do armário e foi viver com apresentador do Fantástico. Ex-jogador do São Paulo e símbolo sexual entre as mulheres, o Raí, assumiu seu relacionamento com Zeca Camargo. Para viverem uma vida juntos, dividirem a mesma casa e dormirem juntos como casados.Segundo informações do site “Tribuna Hoje”, o casal já está junto há uns dois anos.
O apresentador se comporta e mantem uma pose durante os programas da TV. Mas nas baladas gay em São Paulo, Zeca se fica a vontade. Já Raí, seria difícil de desconfiar.

De acordo com uma colunista, a Globo, que sempre surpreende pela manutenção de estereótipos conservadores, proibiu qualquer vinculação dos nomes de Raí e Zeca Camargo em programas da emissora. A colunista ainda revelou que Zeca ficou bastante irritado com isso, pois os dois têm passado por várias momentos de constrangimentos.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Presidente da Siemens, que aceitou denunciar corrupção, é demitido

Peter Löscher, presidente da Siemens, que assumiu o cargo depois dos escândalos de corrupção que abalaram a empresa há seis anos, está demitido.

Oficialmente, é a queda dos lucros da companhia  quem levou os acionistas a tomarem essa decisão, de forma raramente traumática em grandes corporações.

Mas ninguém sabe o que isso irá causar no comportamento da filial brasileira, que confessou e se comprometeu a ajudar a investigar e punir a corrupção praticada pela empresa no superfaturamento dos trens e do Metrô paulistas.

Sob Löscher, a Siemens havia demitido o presidente da filial brasileira, por transgressão de normas internas da companhia.

E estava, segundo a Folha e a Istoé, colaborando com o Ministério Público para descobrir se pode haver corrupção sem corruptos.

Vamos ver se , de repente, a postura aqui não muda para algo mais “empresarialmente” adequado.


Afinal, o Brasil, quando o assunto envolve a tucanagem, é o paraíso da impunidade.


‘Se a pessoa é gay, procura a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?’, disse o Papa Francisco

Deborah Berlinck
RIO - Numa das mais longas entrevistas já concedidas por um Papa (1h20min), sem perguntas pré-selecionadas, o Papa Francisco fez declarações surpreendentes que deixaram vaticanistas boquiabertos. De pé na classe econômica, no voo de volta a Roma, indiferente às turbulências que chacoalhavam o avião, ele defendeu veementemente os homossexuais, dizendo que “eles não devem ser discriminados e devem ser integrados na sociedade”. Ironizou ainda quem diz que tem gay no Vaticano, dizendo que esse não é o problema e que ainda não viu ninguém com “carteira” se identificando como tal. E perguntou: “se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la?”.
A revista italiana L’Espresso, em reportagem de capa, denunciou um “lobby gay” no Vaticano, isto é, grupos de pressão que estariam supostamente favorecendo homossexuais internamente.. A revista acusou monsenhor Battista Ricca - uma das primeiras nomeações do Papa, como membro do Ior, o banco do Vaticano - de estar no centro deste lobby.
Perguntado sobre isso, o Papa disse que o problema não é um “lobby gay”, mas simplesmente um “lobby”, seja de políticos, grupos nações ou outros. Ele partiu em defesa de Ricca, dizendo que uma investigação prévia no Vaticano mostrou que o monsenhor não cometeu nenhum crime.
Francisco considerou a viagem ao Brasil um sucesso e rasgou de elogios os brasileiros.
— É corajosa a vida dos brasileiros. Tem um grande coração, este povo! — disse. Mas reconheceu que o Brasil - um dos maiores países católicos do mundo - está perdendo fiéis. E contou que os bispos do país estão preocupados. O Papa apontou a Renovação Carismática - um grupo dentro da Igreja que pratica rituais mais calorosos nos cultos - como um dos caminhos para evitar o êxodo de católicos para as igrejas concorrentes, como as pentecostais. E contou que a primeira vez que viu esse movimento atuando, nos anos 70, não gostou e criticou, mas que depois se arrependeu.
Francisco, que assumiu o comando do Vaticano num momento crítico por conta de escândalos de pedofilia e corrupção disse que ainda não viu resistência interna às mudanças que pretende fazer na Igreja. O Papa criou várias comissões para reformar não apenas a Cúria, como o banco do Vaticano. Numa mensagem aos que acham, dentro do Vaticano, que a palavra do Papa é inquestionável, ele avisou:
— Eu gosto quando alguém me diz: eu não estou de acordo. Esse é um verdadeiro colaborador.
Introdução do Papa
Boa noite. Foi uma bela viagem. Espiritualmente me fez bem. Estou bastante cansado, mas me fez bem. Encontrar com as pessoas, me faz bem. O Senhor trabalha cada um de nós. Trabalha no nosso coração. A riqueza do Senhor é tão grande que temos de buscar as coisas nos outros. Isso me faz muito bem. Esse foi um primeiro balanço. A bondade e o coração do povo brasileiro é muito grande. É um povo tão amável, que faz festa, que no sofrimento sempre vai achar um caminho para fazer o bem em alguma parte. Um povo alegre, um povo que sofreu tanto. É corajosa a vida dos brasileiros. Tem um grande coração, este povo.
Os organizadores, tanto da parte nossa, quanto dos brasileiros… Eu vi que estava diante de um computador. Verdade, era tudo cronometrado, mas muito bonito. Depois tivemos problemas com hipótese de segurança. Não teve um incidente em todo o Rio de Janeiro com estes jovens. Foi super espontâneo. Com menos segurança, eu pude estar com as pessoas, abracá-las, saudá-las, sem carro blindado. A segurança é a confiança de um povo.
Tem sempre perigo de um louco, mas para este (caso), temos o Senhor. Eu prefiro esta loucura, e ter o risco da loucura, que é uma aproximação. A organização da Jornada, a parte artística, a parte religiosa, de música, foi muito bonita. Eles (os brasileiros) têm uma capacidade de se expressar! Ontem (sábado), por exemplo, fizeram coisas belíssimas.
Aparecida, para mim, foi uma experiência forte, maravilhosa. Eu me lembro durante a conferência, eu queria ter ir sozinho, escondido, mas não era possível. Rezamos. O trabalho de vocês, não li os jornais, não vi teve, nada neste dia, mas me disseram que fizeram um trabalho muito bom. Eu agradeço a colaboração.
Depois, o número de jovens. Hoje (domingo) o governador falou de 3 milhões. Não posso acreditar. Isso é verdade, não sei se viram. Do altar até o final, toda praia estava cheia, até la onde fazia a curva, havia tantos jovens. Me disse a vice-presidente que eram de 178 países. e isso é certo.
Nestes 4 meses, o senhor criou várias comissões. Que tipo de reforma tem em mente ? Quer suprimir o Ior (banco do Vaticano) ?
Os passos que eu fui dando nestes 4 meses e meio vão em duas vertentes. O conteúdo do que quero fazer vem das congregações dos cardeais. Me lembro que os cardeais pediam muitas coisas para o novo Papa, antes do conclave. Me lembro que tinha muita coisa. Por exemplo, a comissão de oito cardeais, a importância de ter uma consulta de fora, e não apenas uma consulta interna. Isso vai na linha do amadurecimento da sinonalidade e do primado. Os vários episcopados do mundo vão se expressando. Muitas propostas foram feitas, como a reforma da secretaria dos sínodos, que a comissão sinodal tenha uma forma de consultas, como o consistório cardinalício com temáticas específicas, como a canonização A vertente dos conteúdos vem daí. A segunda é a oportunidade. A formação da primeira comissão não me custou pouco mais de um mês. A parte econômica, pensava em tratar no ano que vem, porque não é a mais importante. Mas a agenda mudou devido a circunstâncias que vocês conhecem que é de domínio público. O primeiro é o problema do Ior (banco do Vaticano): como encaminhá-lo, como reformá-lo, como sanear o que precisa ser sanado. E essa foi então a primeira comissão. Depois tivemos a comissão dos 15 cardeais que se ocupam dos assuntos econômicos da Santa Sé. E por isso decidimos fazer uma comissão para toda a economia da Santa Sé, uma única comissão de referência. Se notou que o problema econômico estava fora da agenda. Mas estas coisas atanem. Quando estamos no governo, vamos por um lado, mas se chutam e fazem um golaço por outro lado, temos que atacar. A vida é assim. Eu não sei como o Ior vai ficar. Alguns acham melhor que seja um banco, outros que sejam um fundo, uma instituição de ajuda. Eu não sei. Eu confio no trabalho das pessoas que estão trabalhando sobre isso. O presidente do Ior permanece, o tesoureiro também, enquanto o diretor e o vice-diretor pediram demissão. Não sei como vai terminar essa história. E isso é bom. Não somos máquinas. Temos que achar o melhor. A característica de, seja o que for, tem que ser transparência e honestidade.
Uma foto sua deu a volta ao mundo, quando o senhor desceu as escadas do helicóptero, carregando sua maleta preta. Artigos de todo o mundo comentaram o Papa que sai com sua proporia mala. Foram levantadas hipóteses também sobre o conteúdo. Porque saiu carregando a maleta preta e não seus colaboradores? Poderia dizer o que tinha dentro?
Não tinha a chave da bomba atômica! Eu sempre fiz isso, Quando viajo, levo minhas coisas. E dentro o que tem? Um barbeador, um breviário (livro de liturgia), uma agenda, tinha um livro para ler, sobre Santa Terezinha. Sou devoto de Santa Terezinha. Eu sempre levei eu mesmo minha maleta. É normal. Nós temos que ser normais. É um pouco estranho isso que você me diz que a foto deu a volta ao mundo. Mas temos de nos habituar a sermos normais, à normalidade da vida.
Por que pede tanto para que rezem pelo senhor?
Não é habitual ouvir de um papa que peça que rezem por ele... Sempre pedi isso. Quanto era padre pedia, mas nem tanto e nem tao frequentemente. Comecei a pedir mais frequentemente quando passei a ser bispo. Porque eu sinto que se o senhor não ajuda nesse trabalho de ajudar aos outros, não se pode. Preciso da ajuda do senhor. Eu de verdade me sinto com tantos limites, tantos problemas, e também pecador. Peço a Nossa Senhora que reze por mim. É um hábito, mas que vem da necessidade. Eu sinto que devo pedir. Não sei…
O senhor disse que existem muitos santos que trabalham no Vaticano e outros um pouco menos santos. Enfrenta resistências a essa sua vontade de mudar as coisas no Vaticano? O senhor vive num ambiente muito austero, de Santa Marta. Os seus colaboradores também vivem na austeridade? Isso é algo apenas seu ou da comunidade?
As mudanças vêm de duas vertentes: do que pediram os cardeais e também o que vem da minha personalidade. Você falou que eu fico na Santa Marta. Eu não poderia viver sozinho do Palácio, que não é luxuoso. O apartamento pontifício é grande, mas não é luxuoso. Mas eu não posso viver sozinho. Preciso de gente, falar com gente, trabalhar com as pessoas. Porque que quando os meninos da escola jesuíta me perguntaram se eu estava aqui pela austeridade e pobreza, eu respondi: “não, não , não”. (Estou) por motivos psiquiátricos. Psicologicamente, não posso. Cada um deve levar adiante sua vida, seguir seu modo de vida. Os cardeais que trabalham na Cúria não vivem como ricos. Tem apartamentos pequenos. São austeros. Os que eu conheço tem apartamentos pequenos. Cada um tem que viver como o senhor disse que tem que viver. A austeridade é necessária para todos. Trabalhamos à serviço da Igreja. É verdade que há santos, sacerdotes, padres, gente que prega, que trabalha tanto, que vai aos pobres, se preocupam em dar de comer aos pobres. Tem santos na Cúria. Também tem alguns que não são muitos santos. E são estes que fazem mais barulho. Faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que nasce. Isso me dói. Porque são alguns que causam escândalos. Temos o monsenhor na cadeia. Não esta na cadeia. São escândalos que fazem mal. Uma coisa que nunca disse : a Cúria deveria ter o nível que tinha das velhos Cúrias , pessoas que trabalham. Os velhos membros da Cúria. Precisamos deles. Precisamos o perfil da velho da Cúria. Sobre resistência, se tem, eu ainda não vi. É verdade que aconteceram muitas coisas. Mas eu preciso dizer: eu encontrei ajuda, encontrei pessoas leais. Por exemplo, eu gosto quando alguém me diz : “eu não estou de acordo”. Isso eu encontrei e não estou de acordo. Esse é um verdadeiro colaborador. Mas quando vejo aqueles que dizem: “ah, que belo, que belo”, e depois dizem o contrário por trás, isso não ajuda. O mundo mudou, os jovens mudaram.
Temos no Brasil muitos jovens, mas o senhor não falou de aborto, sobre a posição do Vaticano sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil foram aprovadas leis que ampliam os direitos para estes casamentos em relação ao aborto. Por que o senhor não falou sobre isso?
A Igreja já se expressou perfeitamente sobre isso. Eu não queria voltar sobre isso. Não era necessário voltar sobre isso, como também não era necessário falar sobre outros assuntos. Eu também não falei sobre o roubo, sobre a mentira. Para isso, a Igreja tem um doutrina clara. Queria falar de uma coisa positiva, que abrem caminho aos jovens. Além disso, os jovens sabem perfeitamente qual a posição da Igreja.
E a do Papa?
É a da Igreja. Sou filho da Igreja.
O senhor teve sua primeira experiência com multidões no Rio. Como se sente como Papa? É um trabalho duro?
Quando o Senhor nos chama para ser bispo, é belo. O problema é quando um busca ter esse trabalho. Assim não é tão belo. Tem sempre o perigo e pecado de pensar com superioridade, como ser um príncipe. Mas o trabalho é belo. Ajudar o irmão a ir adiante. O bispo tem que indicar o caminho. Eu gosto de ser bispo. Em Buenos Aires, eu era tão feliz era feliz como bispo, isso me faz bem.
E ser papa?
Se você faz o que o Senhor quer, é feliz. Isso é meu sentimento. A igreja no Brasil está perdendo fiéis.
A Renovação Carismática é uma possibilidade para evitar que eles sigam para as igrejas pentecostais?
É verdade, as estatísticas mostram. Falamos sobre isso ontem com os bispos brasileiros. E isso é um problema que incomoda os bispos brasileiros. Eu vou dizer uma coisa: nos anos 1970, início dos 1980, eu não podia nem vê-los. Uma vez, falando sobre eles, disse a seguinte frase: eles confundem uma celebração musical com uma escola de samba. Eu me arrependi. Vi que os movimentos bem assessorados trilharam um bom caminho.
Agora, vejo que esse movimento faz muito bem à igreja em geral. Em Buenos Aires, eu fazia uma missa com eles uma vez por ano, na catedral. Vi o bem que eles faziam. Neste momento da Igreja, creio que os movimentos são necessários. Esses movimentos são um graça para a igreja. A Renovação Carismática não serve apenas para evitar que alguns sigam os pentecostais. Eles são importantes para a própria igreja, a igreja que se renova.
A igreja sem a mulher perde a fecundidade? Quais as medidas concretas? O senhor disse que está cansado. Há algum tratamento especial neste voo?
Vamos começar pelo fim. Não há nenhum tratamento especial neste voo. Na frente, tem uma bela poltrona. Escrevi para dizer que não queria tratamento especial. Segundo, as mulheres. Uma igreja sem as mulheres é como o colégio apostólico sem Maria. O papal da mulher na igreja não é só maternidade, a mãe da família. É muito mais forte. A mulher ajuda a igreja a crescer. E pensar que a Nossa Senhora é mais importante do que os apóstolos! A igreja é feminina, esposa, mãe. O Papel da mulher na Igreja não deve ser só o de mãe e com um trabalho limitado. Não, tem outra coisa. O Papa Paulo 6° escreveu uma coisa belíssima sobre as mulheres. Creio que se deva ir adiante esse papel. Não se pode entender uma igreja sem uma mulher ativa. Um exemplo histórico: para mim, as mulheres paraguaias são as mais gloriosas da América Latina. Sobraram, depois da guerra (1864-1870), oito mulheres para cada homem. E essas mulheres fizeram uma escolha um pouco difícil. A escolha de ter filhos para salvar a pátria, a cultura, a fé, a língua. Na igreja, se deve pensar nas mulheres sob essa perspectiva. Escolhas de risco, mas como mulher. Acredito que, até agora, não fizemos uma profunda teologia sobre a mulher. Somente um pouco aqui, um pouco lá. Tem a que faz a leitura, a presidente da Cáritas, mas há mais o que fazer. É necessário fazer uma profunda teologia da mulher. Isso é o que eu penso.
Queremos saber qual a sua relação de trabalho com Bento 16, não a amistosa, a descolaboração. Não houve antes uma circunstância assim. Os contatos são frequentes?
A última vez que houve dois ou três Papas, eles não se falavam. Estavam brigando entre si, para ver quem era o verdadeiro. Eu fiquei muito feliz quando se tornou Papa. Também, quando renunciou, foi, pra mim, um exemplo muito grande. É um homem de Deus, de reza. Hoje, ele mora no Vaticano. Alguns me perguntam: como dois Papas podem viver no Vaticano? Eu achei uma frase para explicar isso. É como ter um avô em casa. Um avô sábio. Na família, um avô é amado, admirado. Ele é um homem com prudência. Eu o convidei para vir comigo em algumas ocasiões. Ele prefere ficar reservado. Se eu tenho alguma dificuldade, não entendo alguma coisa, posso ir até ele. Sobre o problema grave do Vatileaks (vazamento de documentos secretos), ele me disse tudo com simplicidade. Tem uma coisa que não sei se vocês sabem: Em 8 de fevereiro, no discurso, ele falou: “Entre vocês está o próximo papa. Eu prometo obediência”. Isso é grande.
O senhor falou com os bispos brasileiros sobre a participação das mulheres na igreja. Gostaria de entender melhor como deve ser essa participação. O que sr. pensa sobre a ordenação das mulheres?
Sobre a participação das mulheres na igreja, não se pode limitar a alguns cargos: a catequista, a presidente da Cáritas. Deve ser mais, muito mais. Sobre a ordenação, a igreja já falou e disse que não. João Paulo Segundo disse com uma formulação definitiva. Essa porta está fechada. Nossa senhora, Maria, é mais importante que os apóstolos. A mulher na igreja é mais importante que os bispos e os padres. Acredito que falte uma especificação teológica.
Nesta viagem, o senhor falou de misericórdia. Sobre o acesso aos sacramentos dos divorciados, existe a possibilidade de mudar alguma coisa na disciplina da Igreja?
Essa é uma pergunta que sempre se faz. A misericórdia é maior do que o exemplo que você deu. Essa mudança de época e também tantos problemas na igreja, como alguns testemunhos de alguns padres, problemas de corrupção, do clericalismo… A igreja é mãe. Ela cura os feridos. Ela não se cansa de perdoar. Os divorciados podem fazer a comunhão. Não podem quando estão na segunda união. Esse problema deve ser estudado pela pastoral matrimonial. Há 15 dias, esteve comigo o secretário do sínodo dos bispos, para discutir o tema do próximo sínodo. E posso dizer que estamos a caminho de uma pastoral matrimonial mais profunda. O cardeal Guarantino disse ao meu antecessor que a metade dos matrimônios é nula. Porque as pessoas se casam sem maturidade ou porque socialmente devem se casar. Isso também entra na Pastoral do Matrimônio. A questão da anulação do casamento deve ser revisada. É complexa a questão pastoral do matrimônio.
Qual sua relação de trabalho com Bento XVI , se têm contatos frequentes?
Tem algo que o qualifica. Fiquei tão feliz quando ele foi eleito. Alguns me dizem: mas ele não faz a revolução contra? Eu tenho uma: é como ter o avô em casa, numa família, o avô é venerado. Para mim, é como um avô em casa, o meu pai. Quando tenho uma . Quando fui a ele para falar do problema do Vatileaks, ele falou Entre vocês, um se o próximo Papa, eu prometo obediência.
Como Papa, o senhor ainda pensa é um jesuíta?
É uma pergunta teológica. Os jesuítas fazem votos de obedecer ao Papa. Mas se o Papa se torna um jesuíta, talvez devem fazer votos gerais dos jesuítas. Eu me sinto jesuíta na minha espiritualidade, a que tenho no coração. Dentro de três dias vou festejar com os jesuítas Santo Inácio, numa missa. Não mudei de espiritualidade. Sou Francisco franciscano. Me sinto jesuíta e penso como jesuíta.
Em quatro meses de Pontificado, pode nos fazer um pequeno balance e dizer o que foi o pior e o melhor de ser Papa ? O que mais o surpreendeu neste período?
Não sei como responder isso, de verdade. Coisas ruins, ruins, não aconteceram. Coisas belas, sim. Por exemplo, o encontro com os bispos italianos, que foi tão bonito. Como Bispo da capital da Itália, me senti em casa com eles. Uma coisa dolorosa foi a visita a Lampeduse, me fez chorar. Quando chegam estes barcos (com imigrantes), e que os deixam a algumas milhas de distância da costa e eles têm que chegar (à costa) sozinhos, isso me dói porque penso que estas pessoas são vítimas do sistema socioeconômico mundial. Mas a coisa pior é uma ciática, é verdade, tive isso no primeiro mês. É verdade! Para uma entrevista, tive que me acomodar numa poltrona e isso me fez mal, era dolorosíssimo, não desejo isso a ninguém. O encontro com os seminaristas religiosos foi belíssimo. Também o encontro com os alunos do colégio jesuítas foi belíssimo. As pessoas…conheci tantas pessoas boas no Vaticano. Isso é verdade, eu faço justiça. Tantas pessoas boas, mas boas, boas, boas.
O senhor se assustou quando viu o informe sobre o Valileaks?
Não. Vou contar uma anedota sobre o informe do Vatileaks. Quando fui ver o Papa Bento, ele disse: aqui está uma caixa com tudo o que disseram as testemunhas. Mas não, não me assustei. São problemas grandes, mas não me assustei.
Tem a esperança de que esta viagem ao Brasil contribua para trazer de volta os fiéis? Os argentinos se perguntam: não sente falta de estar em Buenos Aires, pegar um ônibus?
Uma viagem Papa sempre faz bem. E creio que a viagem ao Brasil fará bem, não apenas a presença do Papa. Esta Jornada da Juventude, eles (os brasileiros) se mobilizaram e vão ajudar muito a Igreja. Tantos fiéis que foram se sentem felizes (por terem ido). Acho que vai ser positivo não só pela viagem, mas pela Jornada, que foi um evento maravilhoso. Buenos Aires, sim, sinto falta. Mas é uma saudade serena.
O que o senhor pretende fazer em relação ao monsenhor Ricca e como o senhor pretende enfrentar toda esta questão do lobby gay?
Sobre monsenhor Ricca, fiz o que o direito canônico manda fazer, que é a investigação prévia. E nesta investigação, não tem nada do que o acusam. Não achamos nada. É a minha resposta. Mas quero acrescentar uma coisa a mais sobre isso. Tenho visto que muitas vezes na Igreja se busca os pecados de juventude, por exemplo. E se publica. Abuso de menores é diferente. Mas, se uma pessoa, seja laica ou padre ou freira, pecou e esconde, o Senhor perdoa. Quando o senhor perdoa, o senhor esquece. E isso é importante para a nossa vida. Quando vamos confessar e nós dizemos que pecamos, o senhor esquece e nós não temos o direito de não esquecer. Isso é um perigo. O que é importante é uma teologia do pecado. Tantas vezes penso em São Pedro, que cometeu tantos pecados e venerava Cristo. E este pecador foi transformado em Papa. Neste caso, nós tivemos uma rápida investigação e não encontramos nada. Vocês vêm muita coisa escrita sobre o gay lobby. Eu ainda não vi ninguém no Vaticano com uma carteira de identidade do Vaticano dizendo que é gay. Dizem que há alguns. Acho que quando alguém se vê com uma pessoa assim, devemos distinguir entre o fato de que uma pessoa é gay e fazer um lobby gay, porque todos os lobbys não são bons. Isso é o que é ruim. Se uma pessoa é gay, procura a Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la? O catecismo da igreja católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade. O problema não é ter essa tendência. Não! Devemos ser como irmãos. O problema é fazer lobby, o lobby dos avaros, o lobby dos políticos, o lobby dos nações, tantos lobbys. Esse é o pior problema.



domingo, 28 de julho de 2013

Trens e Metrô superfaturados em 30%

Ao analisar documentos da Siemens, empresa integrante do cartel que drenou recursos do Metrô e trens de São Paulo, o Cade e o MP concluíram que os cofres paulistas foram lesados em pelo menos R$ 425 milhões

Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas


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PROPINODUTO
Segundo integrantes do MP e do Cade, seis projetos de
trem e metrô investigados apresentaram sobrepreço de 30%
Na última semana, ISTOÉ publicou documentos inéditos e trouxe à tona o depoimento voluntário de um ex-funcionário da multinacional alemã Siemens ao Ministério Público. Segundo as revelações, o esquema montado por empresas da área de transporte sobre trilhos em São Paulo para vencer e lucrar com licitações públicas durante os sucessivos governos do PSDB nos últimos 20 anos contou com a participação de autoridades e servidores públicos e abasteceu um propinoduto milionário que desviou dinheiro das obras para políticos tucanos. Toda a documentação, inclusive um relatório do que foi revelado pelo ex-funcionário da empresa alemã, está em poder do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), para quem a Siemens – ré confessa por formação de cartel – vem denunciando desde maio de 2012 as falcatruas no Metrô e nos trens paulistas, em troca de imunidade civil e criminal para si e seus executivos. Até semana passada, porém, não se sabia quão rentável era este cartel.
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Ao se aprofundarem, nos últimos dias, na análise da papelada e depoimentos colhidos até agora, integrantes do Cade e do Ministério Público se surpreenderam com a quantidade de irregularidades encontradas nos acordos firmados entre os governos tucanos de São Paulo e as companhias encarregadas da manutenção e aquisição de trens e da construção de linhas do Metrô e de trens. Uma das autoridades envolvidas na investigação chegou a se referir ao esquema como uma fabulosa história de achaque aos cofres públicos, num enredo formado por pessoas-chaves da administração – entre eles diretores do metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) –, com participação especial de políticos do PSDB, os principais beneficiários da tramoia. Durante a apuração, ficou evidente que o desenlace dessa trama é amargo para os contribuintes paulistas. A investigação revela que o cartel superfaturou cada obra em 30%. É o mesmo que dizer que os governantes tucanos jogaram nos trilhos R$ 3 de cada R$ 10 desembolsado com o dinheiro arrecadado dos impostos. Foram analisados 16 contratos correspondentes a seis projetos. De acordo com o MP e o Cade, os prejuízos aos cofres públicos somente nesses negócios chegaram a RS 425,1 milhões. Os valores, dizem fontes ligadas à investigação ouvidas por ISTOÉ, ainda devem se ampliar com o detalhamento de outros certames vencidos em São Paulo pelas empresas integrantes do cartel nesses e em outros projetos.
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Entre os contratos em que o Cade detectou flagrante sobrepreço está o de fornecimento e instalação de sistemas para transporte sobre trilhos da fase 1 da Linha 5 Lilás do metrô paulista. A licitação foi vencida pelo consórcio Sistrem, formado pela empresa francesa Alstom, pela alemã Siemens juntamente com a ADtranz (da canadense Bombardier) e a espanhola CAF. Os serviços foram orçados em R$ 615 milhões. De acordo com testemunhos oferecidos ao Cade e ao Ministério Público, esse contrato rendeu uma comissão de 7,5% a políticos do PSDB e dirigentes da estatal. Isso significa algo em torno de R$ 46 milhões só em propina. “A Alstom coordenou um grande acordo entre várias empresas, possibilitando dessa forma um superfaturamento do projeto”, revelou um funcionário da Siemens ao MP. Antes da licitação, a Alstom, a ADtranz, a CAF, a Siemens, a TTrans e a Mitsui definiram a estratégia para obter o maior lucro possível. As companhias que se associaram para a prática criminosa são as principais detentoras da tecnologia dos serviços contratados.
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O responsável por estabelecer o escopo de fornecimento e os preços a serem praticados pelas empresas nesse contrato era o executivo Masao Suzuki, da Mitsui. Sua empresa, no entanto, não foi a principal beneficiária do certame. Quem ficou com a maior parte dos valores recebidos no contrato da fase 1 da Linha 5 Lilás do Metrô paulista foi a Alstom, que comandou a ação do cartel durante a licitação. Mas todas as participantes entraram no caixa da propina. Cada empresa tinha sua própria forma de pagar a comissão combinada com integrantes do PSDB paulista, segundo relato do delator e ex-funcionário da Siemens revelado por ISTOÉ em sua última edição. Nesse contrato específico, a multinacional francesa Alstom e a alemã Siemens recorreram à consultoria dos lobistas Arthur Teixeira e Sérgio Teixeira. Documentos apresentados por ISTOÉ na semana passada mostraram que eles operam por meio de duas offshores localizadas no Uruguai, a Leraway Consulting S/A e Gantown Consulting S/A. Para não deixar rastro do suborno, ambos também se valem de contas em bancos na Suíça, de acordo a investigação.
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PEDIDO DE CPI
Líder do PT na Assembleia Legislativa,
Luiz Claudio Marcolino, trabalha pela abertura de inquérito
No contrato da Linha 2 do Metrô, o superfaturamento identificado até agora causou um prejuízo estimado em R$ 67,5 milhões ao erário paulista. As licitações investigadas foram vencidas pela dupla Alstom/Siemens e pelo consórcio Metrosist, do qual a Alstom também fez parte. O contrato executado previa a prestação de serviços de engenharia, o fornecimento, a montagem e a instalação de sistemas destinados à extensão oeste da Linha 2 Verde. Orçado inicialmente em R$ 81,7 milhões, só esse contrato recebeu 13 reajustes desde que foi assinado, em outubro de 1997. As multinacionais francesa e alemã ficaram responsáveis pelo projeto executivo para fornecimento e implantação de sistemas para o trecho Ana Rosa/ Ipiranga. A Asltom e a Siemens receberam pelo menos R$ 143,6 milhões para executar esse serviço.
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O sobrepreço de 30% foi estabelecido também em contratos celebrados entre as empresas pertencentes ao cartel e à estatal paulista CPTM. Entre eles, o firmado em 2002 para prestação de serviços de manutenção preventiva e corretiva de dez trens da série 3000. A Siemens ganhou o certame por um valor original de R$ 33,7 milhões. Em seguida, o conglomerado alemão subcontratou a MGE Transportes para serviços que nunca foram realizados. A MGE, na verdade, serviu de ponte para que a Siemens pudesse efetuar o pagamento da propina de 5% acertada com autoridades e dirigentes do Metrô e da CPTM. O dinheiro da comissão – cerca de R$ 1,7 milhão só nessa negociata, segundo os investigadores – mais uma vez tinha como destino final a alta cúpula da estatal e políticos ligados ao PSDB. A propina seria distribuída, segundo depoimento ao Cade ao qual ISTOÉ teve acesso, pelo diretor da CPTM, Luiz Lavorente. Além da MGE, a Siemens também recorreu à companhia japonesa Mitsui para intermediar pagamentos de propina em outras transações. O que mais uma vez demonstra o quão próxima eram as relações das empresas do cartel que, na teoria, deveriam concorrer entre si pelos milionários contratos públicos no setor de transportes sobre trilhos. O resultado da parceria criminosa entre as gigantes do setor pareceu claro em outros 12 contratos celebrados com a CPTM referentes às manutenções dos trens das séries 2000 e 2100 e o Projeto Boa Viagem, que já foram analisados pelo CADE. Neles, foi contabilizado um sobrepreço de aproximadamente R$ 163 milhões.
Não é por acaso que as autoridades responsáveis por investigar o caso referem-se ao esquema dos governos do PSDB em São Paulo como uma “fabulosa história”. O superfaturamento constatado nos contratos de serviços e oferta de produtos às estatais paulistanas Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos [CPTM] supera até mesmo os índices médios calculados internacionalmente durante a prática deste crime. Cálculos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, por exemplo, apontam que os cartéis ocasionam um prejuízo aos cofres públicos de 10% a 20%. No caso destes 16 contratos, a combinação de preços e direcionamentos realizados pelas companhias participantes da prática criminosa levaram a um surpreendente rombo de 30% aos cofres paulistas.

Diante das denúncias, na última semana o PT e outros partidos oposicionistas em São Paulo passaram a se movimentar para tentar aprovar a instalação de uma CPI. “O governador Geraldo Alckmin diz querer que as denúncias do Metrô e da CPTM sejam apuradas. Então, que oriente a sua bancada a protocolar o pedido de CPI, pelo menos, desta vez”, propôs o líder do PT na Assembleia paulista, Luiz Cláudio Marcolino. “É flagrante que os contratos precisam ser revisados. Temos de ter transparência com o dinheiro público independente de partido”, diz ele. Caso a bancada estadual do PT não consiga aprovar o pedido, por ter minoria, a sigla tentará abrir uma investigação na Câmara Federal. “Não podemos deixar um assunto desta gravidade sem esclarecimentos. Ainda mais quando se trato de acusações tão contundentes de desvios de verbas públicas”, afirmou o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). O que se sabe até agora já é suficiente para ensejar um inquérito. Afinal, trata-se de um desvio milionário de uma das principais obras da cidade mais populosa do País e onde se concentra o maior orçamento nacional. Se investigada a fundo, a história do achaque de 30% aos cofres públicos pode trazer ainda mais revelações fabulosas.

Queima de arquivo
Uma pasta amarela com cerca de 200 páginas guardada na 1ª Vara Criminal do Fórum da cidade de Itu, interior paulista, expõe um lado ainda mais sombrio das investigações que apuram o desvio milionário das obras do metrô e trens metropolitanos durante governos do PSDB em São Paulo nos últimos 20 anos. Trata-se do processo judicial 9900.98.2012 que investiga um incêndio criminoso que consumiu durante cinco horas 15.339 caixas de documentos e 3.001 tubos de desenhos técnicos. A papelada fazia parte dos arquivos do metrô armazenados havia três décadas. Entre os papeis que viraram cinzas estão contratos assinados entre 1977 e 2011, laudos técnicos, processos de contratação, de incidentes, propostas, empenhos, além de relatórios de acompanhamento de contratos de 1968 até 2009. Sob segredo de Justiça, a investigação que poderá ser reaberta pelo Ministério Público, diante das novas revelações sobre o caso feitas por ISTOÉ, acrescenta novos ingredientes às já contundentes denúncias feitas ao Cade pelos empresários da Siemens a respeito do escândalo do metrô paulista. Afinal, a ação dos bandidos pode ter acobertado a distribuição de propina, superfaturamento das obras, serviços e a compra e manutenção de equipamentos para o metrô paulista.

Segundo o processo, na madrugada do dia 9 de julho do ano passado, nove homens encapuzados e armados invadiram o galpão da empresa PA Arquivos Ltda, na cidade de Itu, distante 110 km da capital paulista, renderam os dois vigias, roubaram 10 computadores usados, espalharam gasolina pelo prédio de 5 mil m² e atearam fogo. Não sobrou nada. Quatro meses depois de lavrado o boletim de ocorrência, nº 1435/2012, a polícia paulista concluiu que o incêndio não passou de um crime comum. “As investigações não deram em nada”, admite a delegada de Policia Civil Milena, que insistiu em se identificar apenas pelo primeiro nome. “Os homens estavam encapuzados e não foram identificados”, diz a policial. Investigado basicamente como sumiço de papéis velhos, o incêndio agora ganha ares de queima de arquivo. O incidente ocorreu 50 dias depois de entrar em vigor a Lei do Acesso à Informação, que obriga os órgãos públicos a fornecerem cópias a quem solicitar de qualquer documento que não seja coberto por sigilo legal, e quatro meses depois de começarem as negociações entre o Cade e a Siemens para a assinatura do acordo de leniência, que vem denunciando as falcatruas no metrô e trens paulistas. “Não podemos descartar que a intenção desse crime era esconder provas da corrupção”, entende o deputado Luiz Cláudio Marcolino, líder do PT na Assembleia Legislativa do Estado.

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Além das circunstâncias mais do que suspeitas do incêndio, documentos oficiais do governo, elaborados pela gerência de Auditoria e Segurança da Informação (GAD), nº 360, em 19 de setembro passado, deixam claro que o galpão para onde foi levado todo o arquivo do metrô não tinha as mínimas condições para a guarda do material. Cravado em plena zona rural de Itu, entre uma criação de coelhos e um pasto com cocheiras de gado, o galpão onde estavam armazenados os documentos não tinha qualquer segurança. Poderia ser facilmente acessado pelas laterais e fundos da construção.

De acordo com os documentos aos quais ISTOÉ teve acesso, o governo estadual sabia exatamente da precariedade da construção quando transferiu os arquivos para o local. O relatório de auditoria afirma que em 20 de abril de 2012 - portanto, três dias depois da assinatura do contrato entre a PA Arquivos e o governo de Geraldo Alckmin - o galpão permanecia em obras e “a empresa não estava preparada para receber as caixas do Metrô”. A comunicação interna do governo diz mais. Segundo o laudo técnico do GAD, “a empresa não possuía instalações adequadas para garantir a preservação do acervo documental”. Não havia sequer a climatização do ambiente, item fundamental para serviços deste tipo.

O prédio foi incendiado poucos dias depois da migração do material para o espaço. “Não quero falar sobre esse crime”, disse um dos proprietários da empresa, na época do incêndio, Carlos Ulderico Botelho. “Briguei com o meu sócio, sai da sociedade e tomei muito prejuízo. Esse incêndio foi estranho. Por isso, prefiro ficar em silêncio”. Outra excentricidade do crime é que o fato só foi confirmado oficialmente pelo governo seis meses depois do ocorrido. Em 16 páginas do Diário do Diário Oficial, falou-se em “sumiço” da papelada. Logo depois da divulgação do sinistro, o deputado estadual do PT, Simão Pedro, hoje secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, representou contra o Governo do Estado no Ministério Público Estadual. “Acredita-se que os bandidos tenham provocado o incêndio devido o lugar abrigar vários documentos”. Para o parlamentar, “esse fato sairia da hipótese de crime de roubo com o agravante de causar incêndio, para outro crime, de deliberada destruição de documentos públicos”, disse Simão, em dezembro passado. Procurados por ISTOÉ, dirigentes do Metrô de SP não quiseram se posicionar.

Fotos: PEDRO DIAS/ag. istoé
Fotos: ADRIANA SPACA/BRAZIL PHOTO PRESS; Luiz Claudio Barbosa/Futura Press; NILTON FUKUDA/ESTADÃO
Foto: Rubens Chaves/Folhapress

JOAQUIM BARBOSA DIZ: BRASIL NÃO ESTÁ PREPARADO PARA PRESIDENTE NEGRO

Do R7

  O presidente do STF (Supremo Tribunal Fede- ral), Joaquim Barbosa, afirmou que o Brasil não está preparado para ter um presidente negro e voltou a negar que será candidato. As afirmações foram feitas em entrevista ao jornal O Globo, publicada ontem.
   Para o ministro, o País ainda tem bolsões de intolerância muito fortes e não declarados que podem se insurgir de maneira violenta quando um candidato negro se apresentar. Como exemplo, Barbosa citou recentes matérias do jornal Folha de S.Paulo que, segundo ele, violaram sua privacidade.
  Uma das matérias critica a compra de um apartamento em Miami (EUA) por meio de uma empresa aberta para que o ministro obtivesse “benefícios fiscais no futuro”. Segundo o jornal, o valor do imóvel é estimado entre R$ 546 mil e R$ 1 milhão. Na entrevista divulgada hoje, Barbosa rebateu a reportagem.
  — O jornal se achou no direito de expor a compra de um imóvel modesto nos Estados Unidos. Tirei dinheiro da minha conta bancária, enviei o dinheiro por meios legais, previstos na legislação, declarei a compra no Imposto de Renda.
  Barbosa afirmou que se sente alvo da imprensa, que estaria ultrapassando seus limites por medo de que ele eventualmente se torne candidato. As últimas pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2014 apontam o ministro como um nome que teria força na disputa. Para ele, isso é resultado de manifestações espontâneas da população.
  — Nunca pensei em me envolver em política. Não tenho laços com qualquer partido político. São manifestações espontâneas da população onde quer que eu vá. Pessoas que pedem para que eu me candidate e isso tem se traduzido em percentual de alguma relevância em pesquisas.
  O ministro lembrou, ainda, de quando foi eliminado em uma entrevista no Itamaraty e afirmou que se trata de uma das “instituições mais discriminatórias do Brasil”.
  — Passei nas provas escritas, fui eliminado numa entrevista, algo que existia para eliminar indesejados. Sim, fui discriminado, mas me prestaram um favor. Todos os diplomatas gostariam de estar na posição que eu estou.


Mordomo bem de vida: R$ 18 mil é o salário do mordono de Renan Calheiros

A regalia dos altos salários pagos a garçons extrapola o plenário e o cafezinho do Senado e chega à residência oficial do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador está rodeado de servidores comissionados que há anos recebem polpudas remunerações — reforçadas por grande quantidade de horas extras — para servir o cafezinho, as refeições ou organizar os serviços. Renan tem à sua disposição na residência oficial um mordomo e dois garçons nomeados por atos secretos, nos mesmos moldes dos servidores que atuam no plenário. O mordomo é Francisco Joarez Cordeiro Gomes, que, em março, recebeu R$ 18,2 mil brutos, dos quais R$ 2,7 mil somente em horas extras. Para servir cafezinho, água e comida na casa, os garçons Francisco Hermínio de Andrade e Djalma da Silva Lima receberam em março remunerações brutas de R$ 10,7 mil e R$ 11,6 mil, respectivamente.
Assistentes parlamentares
Renan é assistido também por dois garçons lotados na Presidência do Senado. Eles integram o mesmo grupo de servidores terceirizados que, em setembro de 2001, conseguiu cargos de confiança para continuar atuando como garçons. A remuneração individual paga a Francisco das Chagas de Sousa e a João Natã Alves Moreira foi de R$ 8,2 mil em março.
O mordomo que serve a Renan chegou ao cargo comissionado de assistente parlamentar por meio de ato secreto assinado por Agaciel, em 4 de dezembro de 2006. A função ocupada desde o início é a AP-01, a mais alta dentre os assistentes parlamentares, com remuneração básica de R$ 12,2 mil. Francisco Joarez está lotado na Coordenação de Administração de Residências Oficiais do Senado.
  Teoricamente, ele estaria subordinado à coordenação, mas o próprio presidente acaba acertando as horas extras com o Francisco Joarez, que é uma espécie de mordomo da casa — disse ao GLOBO o coordenador de Administração de Residências Oficiais do Senado, Luís Carlos Rayol.
 O Senado sustenta, por meio da assessoria de imprensa, que não existe o cargo de mordomo. As funções de Francisco Joarez são “responder pela coordenação da equipe e também pela manutenção e integridade dos bens públicos existentes naquele espaço residencial”.
  “Os servidores rela- cionados reali- zam atividades de apoio na Presidência, Pri- meira Secretaria e residência o- ficial. Na resi- dência, as atividades envolvem eventos e funções protocolares inerentes à Presidência do Senado ”, diz a assessoria.



Fonte: O Globo.

Paraquedista morre após saltar pela primeira vez em Santa Catarina

Um jovem de 25 anos morreu após fazer seu primeiro salto de paraquedas em São Miguel do Oeste (730 km de Florianópolis) na tarde de sábado.
Após saltar de um avião que decolou do Aeroporto Municipal Hélio Wasun, Diego Gregele Deganis fez uma "manobra inesperada", perdeu o controle do paraquedas e morreu no impacto com o chão, informou em nota o Clube de Paraquedismo Aerubu, da qual o jovem era aluno.
O Corpo de Bombeiros e uma equipe do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) tentaram reanimar o jovem, mas ele não resistiu e morreu no hospital.
O clube afirmou que Deganis realizou um curso de paraquedismo no dia 12 de julho e o salto realizado na tarde de ontem, por volta das 14h30, foi feito após reciclagem das instruções.
O aluno foi ensinado com o método ASL (Accelerated Static Line) que é um programa tradicional na formação de paraquedistas. Neste tipo de curso, o aluno é orientado e treinado para saltar sozinho, mas com acompanhamento do instrutor em todas as fases do salto até a sua saída da aeronave.
Assim que o aluno salta, a abertura do paraquedas é feita de forma automática, por uma fita enganchada no avião. No solo, outro instrutor acompanha e orienta a navegação do aluno até o momento do pouso em local determinado anteriormente.
"O salto ocorreu de forma correta desde sua saída da aeronave, com perfeito funcionamento do equipamento", afirmou o Clube de Paraquedismo Aerubu, que destacou que em 17 anos, esse é o primeiro acidente grave com um aluno.
"O acidente ocorreu próximo ao solo, quando o aluno realizou uma manobra inesperada. A orientação estava sendo repassada via rádio conforme o padrão do curso a nível nacional e internacional".
A Polícia Civil esteve no local e coletou depoimentos dos responsáveis pelo clube e de possíveis testemunhas. Um Inquérito Policial foi aberto para investigar as causas da morte do paraquedista.
                                                                                           Fonte: O Globo.

Já fiquei pelada em Tambaba…

Não vou nem mentir. E gostei foi muito. Tem até foto para provar. Daqui pra findar esse texto decido se cabe ou não publicar. Mas o fato é que um post puxa outro. Escrevo agora motivada pelo “a- núncio” de emprego na- da convencional que o Roberto Maciel Luiz Carlos Carvalho publicou e que o Nonato repercutiu. Diz que a Prefeitura da cidade de Conde, na Paraíba, estaria recrutando INTERESSADOS em guiar jumentos carregadores de beldades PELADAS na dita praia em que perdi a vergonha e resolvi sair correndo areia afora, do jeitinho que papai do céu me fez chegar na rodoviária desse mundo.
Mal da internet, motivo de descrença e tal, minha preguiça me faz desistir de vasculhar sites para saber da veracidade do “anúncio”. Dito isso, para que ninguém me acuse de falar sem embasamento (ô palavrinha pôdi!), faço algumas considerações sobre:
Não é só mulher que tem que tirar a roupa para entrar no espaço reservado para nudismo, em Tambaba
Não está escrito no regulamento que para tirar a roupa tem que ser miss.
Por mais que o selim seja ultra macio e descartável, convenhamos, andar pelada num jumento deve ser algo meio, digamos, nojento. De qualquer forma, voltando lá, sim eu voltarei, já levo na mala o meu próprio
E, para encerrar, aquilo lá tá mais para anúncio de filme pornô, se bem que também podia ser folder de turismo pra gringo ver. Além de ser machista que nem presta, né?
Mas o melhor de Tambaba pode ser vivido antes mesmo de chegar lá. Depende do seu nível de relaxamento, é claro. Se você vai dar uma de nudista de primeira viagem, aproveite para curtir a própria viagem. Esqueça a tensão olhando pela janela. Já faz um tempo que estive lá, mas acho que não mudou muito. As estradas são rodeadas de verde, os caminhos são bucólicos, há paradas bem bacanas com vendas de frutas da estação.
Uma vez lá, ainda dá tempo de decidir se tira ou não a roupa, já que há espaços distintos onde se pode apreciar a natureza vestido mesmo. Se decidir entrar, aí não, você deve ler o regulamento exposto na entrada e fazer valer o que aprendeu de pai e mãe. Nada de querer dar uma de esperto e sair fotografando ou filmando, que é batata a segurança encurtar sua viagem. Prepare-se para achar esquisito quando for horário de reposição de bebidas. Coisa do outro mundo ver os caras descarregando caixas de cerveja, vestidinhos da silva, enquanto você tenta dar uma de transparente. E trate de fazer amizade com as abelhinhas do lugar. Lembro que pirei de pensar numa ferroada delas. Já pensou? Nada de querer ficar de amassos, que não é permitido aquecimentos no lugar. Muito menos você deve ficar olhando fixamente para os possuídos dos outros. Acredita que meu acompanhante de aventura, um namorado, achou um piercing bem lá nas partes baixas de uma menina que vinha a quilômetros? E, não, meninas, os garçons não servem só de gravatinha borboleta. Para os meninos, bem, o melhor é pensar em tudo menos naquilo, né.

De resto, vale a pena dar-se esse presente. Se você tem mais tempo e dinheiro, dá para tentar hospedagem por lá. Se não, um dia já pode ser o suficiente. Correr livre pela praia, andar sem nada que lhe aperte, mudar o foco das tensões, esquecer das outras regras, e da vergonha, é algo necessário de vez em quando. Pena que a faixa de praia reservada para nudismo seja tão pequena.
Situe-se: Tambaba – Conde / PB, distante 30 km de João Pessoa. Acesso pela rodovia PB 008

Maisa por ela mesma
Maisa Vasconcelos -Brasileira [Nordeste, Ceará, em Fortaleza] – Jornalista - Apresentadora de TV [quase loura] – Radialista [fora do dial, por enquanto] – Cerimonialista [sem frescuras] – Blogueira [de bobeira] – Mulher [em construção]



 

sábado, 27 de julho de 2013

Cidades inscritas no Mais Médicos pedem 15.460 profissionais ao governo

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA
        Balanço da primeira rodada de inscrições no programa Mais Médicos, divulgado nesta sexta-feira (26) pelo governo, identificou a demanda por 15.460 médicos em 3.511 cidades do país. Em contrapartida, 3.123 médicos finalizaram sua inscrição até o final de quinta-feira (25).
        O prazo para o término da inscrição (com o envio da documentação completa) se encerraria na noite de quinta-feira (25), mas foi ampliado pelo Ministério da Saúde pelo grande volume de inscrições não finalizadas. Assim, os médicos ainda podem ajustar o cadastro até a noite de domingo (28).
        Os dados apresentados pelo ministro Alexandre Padilha (Saúde) mostram que a prometida sabotagem ao programa pode ter, de fato, ocorrido. Nas duas semanas em que o edital para inscrição no Mais Médicos ficou aberto, mensagens difundidas nas redes sociais orientavam para que médicos se inscrevessem em massa, mas não finalizassem a inscrição, como forma de tumultuar o programa.
        Entre as 18.450 inscrições, 8.307 apresentaram inconsistência no número do CRM (Conselho Regional de Medicina) e precisam ser ajustadas até este domingo (28), segundo Padilha. Nesses casos, o número do CRM não foi informado, ou o número informado não bate com o nome do médico registrado nos conselhos regionais.
        Filtros contra a eventual sabotagem também encontraram 1.270 inscrições de médicos que atualmente cursam uma residência médica. Até domingo, esses candidatos deverão informar se pretendem deixar ou não a residência médica. Segundo o próprio ministro, a expectativa é só que uma minoria troque a residência pelo Mais Médicos.
        Apesar da pequena proporção de inscrições finalizadas, o ministro da Saúde se empenhou em mostrar animação com o programa.
        "Conseguimos, em 15 dias, uma adesão bastante importante. Mais de 3.500 municípios mostraram que faltam médicos na atenção básica e estão acreditando nessa solução concreta que o governo federal busca apresentar", disse Padilha.
Essa foi a primeira rodada de inscrições. Em 15 de agosto, terá início uma nova rodada de seleções.
        O programa foi lançado pela presidente Dilma Rousseff, via medida provisória, em 8 de julho. O programa tem dois eixos centrais: pretende levar médicos brasileiros e estrangeiros a cidades do interior e a periferias das grandes cidades; e ampliar o curso de medicina, com dois anos extra de serviços prestados no SUS.
        Desde então, o Mais Médicos conquistou críticas de médicos, parlamentares e escolas de medicina.
        Das 3.511 cidades inscritas, 1.449 são tidas como prioritárias pelo governo (pelo maior grau de vulnerabilidade social). O número significa que houve adesão ao programa de 92% das cidades prioritárias.
ESTRANGEIROS
Segundo o balanço divulgado pela Saúde, 1.920 inscritos têm registros de atividade médica em 61 países --podendo ser brasileiros ou estrangeiros.
Segundo o ministério, a maior parte deles atua hoje em Portugal, Espanha e Argentina. Também há profissionais que atuam em Cuba, mas a pasta não detalhou quantos.


STF nega pedido de suspensão do programa Mais Médicos

 O STF (Supremo Tribunal Federal) negou, nesta sexta-feira (26) o pedido de liminar para suspender o programa Mais Médicos feito esta semana pela AMB (Associação Médica Brasileira).
     O STF (Supremo Tribunal Federal) negou, nesta sexta-feira (26) o pedido de liminar para suspender o programa Mais Médicos feito esta semana pela AMB (Associação Médica Brasileira).
     O programa, lançado há pouco mais de duas semanas pela presidente Dilma Rousseff, pretende distribuir médicos brasileiros e estrangeiros em cidades com carência desses profissionais, e ampliar o curso de medicina em dois anos. Lançado via medida provisória, sem amplo debate, encontrou resistência da classe médica e de faculdades de medicina.
     O ministro Ricardo Lewandowski, que está responsável por decisões do STF durante o recesso, citou em sua decisão dados que o governo tem usado para apontar a falta de médicos no país e, assim, justificar as medidas adotadas.
     "Vê-se, pois, que o ato impugnado configura uma política pública da maior importância social, sobretudo ante a comprovada carência de recursos humanos na área médica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, o cenário indica a existência de periculum in mora inverso, ou seja, o perigo na demora de fato existe, porém milita em favor da população", afirma o ministro.
     Essa é a primeira resposta aos pedidos de suspensão do programa Mais Médicos feitos a diferentes esferas da Justiça desde a semana passada.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Brasil atinge menor nível de desigualdade da história, diz Ipea

Para Marcelo Neri, aumento da renda na base
da pirâmide relativiza fraco desempenho do PIB
O economista Marcelo Neri, novo presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), disse nesta terça-feira que "o Brasil está hoje no menor nível de desigualdade da história documentada".
De acordo com Neri, em 2011, o índice de Gini, que mede a desigualdade, foi de 0,527, o menor desde 1960.
Na avaliação do Ipea, os resultados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) no ano passado indicam grande diminuição da desigualdade e redução da pobreza.
Neri afirma que, entre 2001 e 2011, houve crescimento real de 91,2% na renda dos 10% mais pobres. No caso dos 10% mais ricos, o aumento foi 16,6%.
Segundo o economista, o aumento da renda na base da pirâmide relativiza o fraco desempenho do PIB (Produto Interno Bruto).

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dá uma olhada na estrepolia que o UOL faz para não dizer que Alckmin é reprovado por 74% dos paulistas:

Governo Alckmin é aprovado por 26%, afirma CNI/Ibope

A gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) à frente do governo de São Paulo foi considerada ótima ou boa por 26% da população, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira (25). O percentual ficou abaixo da média nacional, que é de 28%. A maneira dele de governar tem aprovação de 40% dos eleitores. Um percentual de 34% da população diz ter confiança no governador.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O governo de Alckmin é o terceiro pior avaliado do país entre os 11 Estados pesquisados, atrás dos governos do Rio de Janeiro, de Sérgio Cabral (PMDB), e de Goiás, de Marconi Perillo (PSDB).
Quando comparada ao governo federal, porém, a gestão tucana é mais bem avaliada. Ao avaliar a gestão Dilma, 23% a consideram ótima ou boa. A maneira da petista de governar recebe a aprovação de 33% dos eleitores em São Paulo. A presidente inspira confiança em 33% da população.
Ao analisar a capacidade financeira do governo estadual de prover serviços públicos, 49% acham que o Estado tem dinheiro suficiente para isso, enquanto 47% consideram que o Estado precisa da ajuda financeira do governo federal. Outros 4% não souberam ou não responderam a essa questão.
Quando avaliadas áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação, segurança pública e transporte urbano, São Paulo é um dos Estados com os maiores percentuais da população que consideram que o governo federal faz menos do que deveria.
Pesquisa anterior do instituto Datafolha, divulgada no último dia 1º de julho, já havia detectado baixa popularidade do governo paulista. Segundo o Datafolha, a aprovação ao governo do tucano caiu de 52% no início de junho para 38% no começo de julho.