domingo, 1 de setembro de 2013

Rio: manifestantes protestam contra a Globo e entram em confronto com PM


Homem tenta se proteger de policial durante protesto contra a Rede Globo no Rio de Janeiro Foto: Daniel Ramalho / Terra
Homem tenta se proteger de policial durante protesto contra a Rede Globo no Rio de Janeiro  

Dezenas de manifestantes ligados aos grupos Black Blocs e Anonymous, que participaram de manifestação contra a Rede Globo na noite desta quarta-feira no Rio de Janeiro, entraram em confronto com a Polícia Militar (PM). Eles saíram da frente do prédio da emissora, onde estavam concentrados, e bloquearam a rua Jardim Botânico, uma das principais vias da zona sul carioca. A Polícia Militar interveio e houve um princípio de tumulto quando um manifestante foi detido e os policiais tentaram dispersar o grupo com jatos de gás de pimenta.

Durante a manifestação, um ciclista foi atropelado na entrada do túnel Zuzu Angel. O motorista do carro parou para prestar socorro, e a vítima, com ferimentos leves, foi atendida por uma ambulância. Ela passa bem.

Policiais usando capacetes com viseira e escudos tentaram dispersar os manifestantes e liberar a rua Jardim Botânico. Por causa do protesto, um grande engarrafamento aconteceu no local. Depois de marcharem pelas ruas do Leblon e da Gávea, protestando em frente à 15ª DP, os manifestantes retornaram para a Globo.

A manifestação foi organizada nas redes sociais pelo Black Blocs e pelo Anonymous com o objetivo de protestar contra a forma como a Rede Globo vem cobrindo os atos públicos pelo País, que seria tendenciosa e incompleta, segundo os grupos.

No fim do protesto, alguns manifestantes caminharam até a avenida Delfim Moreira, onde acampa o grupo Ocupa Cabral, e afirmaram que iriam passar a noite ali.

Protestos mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.


A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.


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