O candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, admitiu em nota que foi contratado para trabalhar na Câmara dos Deputados, que fica em Brasília, mesmo enquanto ainda morava no Rio de Janeiro, em 1980. Na época, tinha 19 anos.
De acordo com o texto, o tucano cuidava da agenda do deputado Aécio Ferreira da Cunha –trata-se do pai de Aécio Neves que exercia mandato pelo PDS (Partido Democrático Social). A sigla é sucessora da Arena, legenda criada pela ditadura militar.
De acordo com a nota emitida pela assessoria de imprensa de Aécio, não havia nenhuma irregularidade no fato de ele estudar no Rio de Janeiro e trabalhar para o gabinete do pai. Os ocupantes de cargos na Câmara só passaram a ter que atuar em Brasília a partir de 2010, segundo o texto.
A assessoria de imprensa diz ainda que uma informação no site da Câmara, segundo a qual Aécio teria começado a trabalhar na Casa em 1977, está errada. A Coligação pediu a correção à Câmara.
A biografia de Aécio Neves, no site oficial do tucano, omite o período em que o presidenciável trabalhou remotamente para o gabinete do pai.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Governo mineiro não divulga gastos com rádios de Aécio
LUCAS FERRAZ
RICARDO MENDONÇA
FOLHA DE SÃO PAULO
O governo de Minas Gerais se recusou várias vezes nos últimos anos a divulgar informações sobre despesas que realizou para veicular publicidade oficial em três rádios e um jornal controlados pela família do presidenciável tucano Aécio Neves, que governou o Estado de 2003 a 2010. RICARDO MENDONÇA
FOLHA DE SÃO PAULO
Embora reconheça que as empresas da família receberam verbas de publicidade no período em que Aécio era governador, o que não é vedado pela legislação, o governo estadual, que continua sob controle de aliados do tucano, diz não ser possível saber quanto cada veículo recebeu.
| Editoria de arte/Folhapress |
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Quando o irmão era governador, Andrea Neves coordenava um grupo de assessoramento do governo que tinha como atribuições "estabelecer diretrizes para a política de comunicação" e "manifestar-se previamente sobre a relação de despesas com publicidade", de acordo com o decreto que o regulamentou.
Em 2011, o PT pediu que o Ministério Público investigasse a publicidade nas empresas da família. O governo mineiro informou à Folha na época que a rádio Arco Íris recebera R$ 210.693 no ano anterior e disse que faria um levantamento detalhado sobre os gastos desde 2003, mas jamais ofereceu esses dados.
Em junho deste ano, a Folha voltou a questionar o Estado, com base na Lei de Acesso à Informação. Não houve resposta. O governo só respondeu após um segundo pedido de informações. "Não dispomos, de pronto, das informações tal como solicitadas, por tipo de mídia e por veículo de comunicação", disse, por escrito. "O sistema não é organizado dessa forma".
PADRÕES
O governo diz ter condições de saber quanto gasta com as agências que cuidam dos seus anúncios, mas não os valores repassados a cada veículo que os divulga. Mesmo assim, o governo afirma que não houve favorecimento às empresas da família de Aécio e que os repasses nunca destoaram dos padrões de mercado. Procurada, a assessoria da campanha do PSDB preferiu não se manifestar.
As respostas do governo mineiro contrastam com o padrão adotado pelos petistas no governo federal. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulga na internet todos os pagamentos de órgãos da administração direta a veículos de comunicação desde 2009.
Em 2012, após pedido apresentado pela Folha com base na Lei de Acesso, o governo do Estado de São Paulo forneceu informações detalhadas sobre pagamentos feitos desde 2007. O governo federal não divulga os gastos das empresas estatais, assim como os governos estaduais.
Os gastos de Minas Gerais com publicidade oficial aumentaram em 300% durante o governo Aécio. Entre 2003 e 2010, último ano do seu segundo mandato, houve um salto de R$ 24 milhões para quase R$ 96 milhões, em valores corrigidos pela inflação.
A investigação aberta pelo Ministério Público Federal a pedido do PT em 2011 não chegou a lugar nenhum. O caso foi conduzido pelo então procurador-geral de Justiça, Alceu Marques, que encerrou a apuração afirmando não ter encontrado nenhuma irregularidade, mesmo sem ter analisado valores. Atualmente, ele é o secretário de Meio Ambiente do governo mineiro.
sábado, 11 de outubro de 2014
SEM RENDA OFICIAL SUFICIENTE, AÉCIO CONSEGUIU AMPLIAR EM “50 VEZES” SEU PATRIMÔNIO IMOBILIÁRIO.
Ex-assessor de Tancredo se assusta ao folhear relatório sobre o crescimento patrimonial do ex governador de Minas Gerais e afirma: “Quem diria, aquele jovem vindo do Rio de Janeiro, após a eleição de seu avô ao governo de Minas em 1982, trazendo em sua mochila bermudas e camisetas. Seu primeiro terno foi comprado pronto na Mesbla, com recursos de seu avô”.
Esta realidade assusta não só aos ex-assessores de Tancredo, mas a todos que conhecem a história de Aécio Neves.
Jamais exerceu qualquer atividade empresarial, comercial ou industrial. Desde 1983 exerceu apenas cargo público, ou seja, recebeu salário, primeiro no governo de Minas como assessor de seu avô, depois diretor de loterias na Caixa Econômica Federal e deputado federal por quatro mandatos, até ser governador de Minas.
Em 2006, após seu primeiro mandato de governador, seu patrimônio já gerava desconfiança. Porém, o crescimento após 2006 ultrapassa qualquer explicação. A não ser que o governador tenha ganhado três prêmios acumulados da mega-sena sozinho.
Aécio Neves, então candidato a governador de Minas em 2006, declarou ao TRE/MG um patrimônio total de R$ 831.800,53. Apenas três anos depois de eleito para o segundo mandato, o governador mineiro, apenas em uma aquisição, conseguiu ampliar 50 vezes seu patrimônio imobiliário, adquirindo a participação de todos os herdeiros de seu avô Tancredo no luxuoso apartamento situado em Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro. O total pago foi de R$ 12 milhões, à vista.
O economista Aécio Neves, 49 anos, informou à Justiça Eleitoral em 2006 que possuía em espécie R$ 150 mil. Declarou ainda um apartamento na cobiçadíssima Avenida Epitácio Pessoa, no bairro carioca de Ipanema, que apareceu na declaração de bens de Aécio com o preço de R$ 109,55 mil.
Ele não discrimina o número de dormitórios que tem o imóvel, mas uma rápida pesquisa em classificados de jornal mostra que o dinheiro é pouco até mesmo para comprar um “quarto/sala” por ali.
O fato pode ter a ver com um hábito dos políticos. Eles costumam utilizar nas informações prestadas à Justiça Eleitoral os valores dos imóveis constantes das declarações de Imposto de Renda.
Nessas, o contribuinte é impedido de atualizar o valor do bem à luz dos preços de mercado porque o esfomeado Leão quer aumentar ao máximo a possibilidade de morder ganhos de capital elevados, aumentando artificialmente o lucro obtido pela eventual venda do imóvel. Em tese, à Justiça Eleitoral, o candidato deveria informar o valor real do bem.
Além do apartamento de seu avô, outros imóveis foram adquiridos no litoral, principalmente em Angra dos Reis. Em Angra, o preço dos imóveis ultrapassa o valor pago no apartamento de seu avô.
Até mesmo dois imóveis no exterior seriam de propriedade do governador mineiro. A maioria dos imóveis encontra-se registrado em nome de empresas, desta forma, o nome do governador não aparece.
No contrato social também consta como sócia outra pessoa jurídica, uma empresa de “participação”. Entretanto, a maior parte do patrimônio do governador de Minas está em nome de empresas registradas em paraísos fiscais e em fundos internacionais, como ficou provado na investigação realizada pela Polícia Federal nos fundos administrados pelo Banco Opportunity, de Daniel Dantas.
Nestas investigações, diversas remessas realizadas desde 2003 por doleiros da Construtora Andrade Gutierrez e Camargo Correia foram identificadas como sendo para Aécio. Estes dados já se encontram em poder do Ministério Público e Receita Federal.
Evidente que o governador mineiro encontra-se no grupo de brasileiros que estão “acima da lei”, a exemplo do senador José Sarney. Desta maneira, membros da Receita Federal entendem que dificilmente ele será punido.
Na verdade, após a redemocratização do País, estes “senhores” organizaram o novo cenário de poder no Executivo, Legislativo e Judiciário. As Cortes superiores de Justiça têm quase a totalidade de sua composição por indicação do presidente da República.
“De 1985 até hoje, no STJ e STF já se renovou desta forma uma aliança entre Sarney, Collor, Fernando Henrique, Itamar e Lula representa uma ameaça para independência e estabilidade do sistema judicial”, afirma um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.
Políticos próximos de Lula informam que a recente posição de Aécio e de seu “escudeiro” Itamar Franco contra o Governo Federal é em retaliação às investigações feitas pela Receita Federal.
Senador do PSOL espera a presença da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para indagar a respeito da pressão feita por Dilma Rousseff em relação à investigação de Aécio.
Outra questão que está sendo apurada é a participação do governador junto com o deputado Nárcio Rodrigues (PSDB) e o presidente da Assembleia Legislativa mineira, deputado Alberto Pinto Coelho (PP), no mineroduto de 525 km de extensão para transportar o minério de ferro do sistema Minas-Rio, saindo de Conceição de Mato Dentro (MG) e chegando ao Porto de Açu, no Rio de Janeiro.
Outra questão que está sendo apurada é a participação do governador junto com o deputado Nárcio Rodrigues (PSDB) e o presidente da Assembleia Legislativa mineira, deputado Alberto Pinto Coelho (PP), no mineroduto de 525 km de extensão para transportar o minério de ferro do sistema Minas-Rio, saindo de Conceição de Mato Dentro (MG) e chegando ao Porto de Açu, no Rio de Janeiro.
Obra que inclusive está para ser suspensa pelo Ministério Público Federal por irregularidades.
A participação do governador mineiro no setor elétrico seria também através de uma empresa. No inquérito, assusta a omissão da Codemig em relação aos pedidos da empresa de Daniel Dantas para pesquisa e exploração de jazidas minerais que pertencem à empresa mineira.
As investigações comprovam ainda que a diferença entre o valor declarado como da venda de nióbio de Araxá e o realmente recebido no exterior é escandaloso e estaria sendo administrado por um fundo pertencente ao Unibanco no exterior, que, por sua vez, vem aportando recursos no fundo que coincidentemente Aécio tem cotas.
Embora publicamente demonstre pouca amizade, Aécio é amigo desde a infância do proprietário do Unibanco, pois no mesmo prédio (apartamento adquirido por Aécio recentemente) sempre morou Walther Moreira Salles e seu avô Tancredo Neves.
Um dos procuradores da República encarregados das apurações foi procurado e nada quis afirmar, apenas advertiu ao Novojornal: “Relatar a totalidade do patrimônio de Aécio Neves antes da apresentação da denúncia seria trazer descrédito para o caso”.
O procurador tem razão, o crescimento patrimonial de Aécio realmente assustará, principalmente aos mineiros. Embora o enriquecimento de governadores de Minas Gerais após o término do período militar tornou-se natural.
Basta ver o patrimônio de Hélio Garcia e Newton Cardoso. Pouco visível fica o patrimônio de Itamar e Azeredo, que sempre utilizaram “intermediários” para tratar desses assuntos.
sábado, 4 de outubro de 2014
Eleitor deixa Aécio 'no vácuo' em caminhada em BH
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| Morador se nega a cumprimentar o candidato Aecio Neves em visita ao Aglomerado da Serra em Belo Horizonte MG, |
O músico Fábio Martins, 39, morador de um conjunto de favelas da zona sul de Belo Horizonte, deixou o presidenciável Aécio Neves (PSDB) de mão abanando em ato de campanha do senador mineiro na comunidade.
O episódio aconteceu quando o tucano caminhava por uma viela do aglomerado da Serra, um dos quatro pontos da capital mineira onde ele fez campanha nesta sexta-feira (3).
O músico estava na varanda de sua casa. Quando Aécio se aproximou e estendeu a mão para cumprimentá-lo, Martins num primeiro instante esticou o braço, mas logo o recolheu, deixando o presidenciável no vácuo.
A cena durou poucos segundos. Diante da recusa, Aécio prosseguiu a caminhada, e Martins entrou em casa. O tucano estava acompanhado dos candidatos do PSDB ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, e ao Senado, Antonio Anastasia, além de dezenas de militantes, a maioria contratada.
A cena durou poucos segundos. Diante da recusa, Aécio prosseguiu a caminhada, e Martins entrou em casa. O tucano estava acompanhado dos candidatos do PSDB ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, e ao Senado, Antonio Anastasia, além de dezenas de militantes, a maioria contratada.
Procurado mais tarde pela Folha, o músico disse não ter preferência por nenhum candidato, mas que votará em Luciana Genro (PSOL) por "falta de opção". Segundo ele, o episódio com Aécio foi uma coisa "despretensiosa".
"Eu não tinha intenção", afirmou.
Segundo ele, as pessoas da campanha estavam espalhando santinhos pela rua, o que o desagradou. Depois, uma moça da campanha tentou lhe dar um santinho, e ele recusou.
Quando Aécio passava, essa mesma moça voltou e lhe disse para pegar na mão do Aécio. "Aí, na hora que eu olhei, ele [Aécio] já estava com a mão estendida. Eu estendi a mão para ele e falei: 'Só que não'."
Segundo o músico, alguns moradores da comunidade o chamaram de mal educado.
"Tudo bem, é um direito deles. O mesmo direito que ele [Aécio] tem de vir aqui pegar na mão dessa população humilde e forjar, eu também tenho o direito de não pegar na mão dele", disse Martins.
"A política eu faço ela com você, posso interferir em alguma coisa, posso interceder aqui no aglomerado para algum candidato. Eu não voto na Dilma, eu não voto na Marina, eu não voto em ninguém", disse.
"Mas eu sempre escolho um candidato. Eu vou votar na Luciana Genro, é a minha candidata para essa eleição. Não que ela seja... É por falta de opção. Eu não voto nulo, porque votando nulo eu acho que não estamos fazendo política", completou.
Martins disse que ato político como o ocorrido nesta sexta (3) em seu bairro "não é política, é politicagem".
Na ultima segunda-feira (29), Dilma esteve na mesma favela, onde fez campanha.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Por que o ódio ao PT?
Esse sentimento antigo, manifes-tado aberta- mente por adversários de influência forte no eleitorado de oposição, permanece em estado latente e se manifesta mais claramente nas “guerras” presidenciais. Em tempos de “paz” é cochichado pelos cantos do Congresso e, igualmente, em reuniões sociais onde não há preocupação em expor preconceitos.
Nesses salões mais elegantes, os petistas são tratados de corja.
Recentemente, o asco jorrou surpreendentemente da boca do senador Aécio Neves, um mineiro até então pacato com os adversários políticos. A competição acirrada fez o candidato a presidente pelos tucanos sair dos seus cuidados.
“Sei que não vou ganhar. Minha luta é contra o continuísmo dessa gente. É contra isso que vou lutar”, confidenciou a Jorge Bastos Moreno, de O Globo. Isso, ainda no início de campanha, revelou o jornalista.
Reação incomum a do mineiro Aécio Neves, neto de Tancredo.
A tradicional cordialidade na sociedade mineira, por exemplo, apro-ximou o tucano Aécio do petista Fernando Pimentel. Em 2008, firmaram a aliança, com re- sistências no PT, para eleger o prefeito de Belo Horizonte. Acordo repudiado pelos petistas mineiros.
Na política, excetuadas as exceções, os adversários não são tratados como inimigos. Sabem que amanhã será outro dia e poderão estar no mesmo palanque.
O ódio embutido na frase de Aécio Neves tem explicação e antecedentes. Alguns bem mais explosivos e de maior violência verbal.
Em 2006, o senador Jorge Bornhausen (PFL-DEM) lançou uma provocação violenta contra a reeleição de Lula: “Vamos acabar com essa raça. Vamos nos livrar dessa raça por, pelo menos, 30 anos”. Falhou na previsão, como se sabe. Essas são algumas das raízes que fazem o ódio aflorar no processo eleitoral deste ano de forma mais transparente. O sentimento espalhou-se por uma parte considerável do eleitorado. De alto a baixo.
Para derrotar Dilma, um grande contingente de eleitores tucanos trocou de camisa. Optou por Marina. Aécio em poucos dias foi desidratado. Ele chegou a ter 23% das intenções de voto. Mas empacou. Dilma aproximou-se muito da possibilidade de vencer no primeiro turno. Aproximadamente, 30% dos eleitores formavam o grupo dos indecisos ou mostravam a intenção de votar em branco ou nulo.
O imprevisto jogou Marina na disputa. Ela rapidamente superou Aécio, que caiu para 15% das intenções de voto. Voltou a subir a 19% segundo o Ibope.
Trocar Aécio por Marina não é, efetivamente, resultado político adequado pelos critérios políticos mais tradicionais. A troca de candidato, no entanto, é fruto do medo de uma nova vitória do PT, cujo compromisso social assusta parte da sociedade com dificuldade de conviver com pobres.
Essa porção de privilegiados assusta-se com um pouco mais de igualdade. Da fonte do medo também brota o ódio.

Onda Marina perde força e Dilma abre vantagem, por Ricardo Kotscho
No final de agosto, Marina Silva pulou de 21 para 34% e empatou com Dilma Rousseff. Parecia mesmo um furacão virando de pernas para o ar a campanha presidencial. De lá para cá, porém, como confirma a nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, criou-se uma tendência e não apenas mais uma oscilação dentro da margem de erro: é Marina não parando de cair e Dilma subindo a cada semana, tanto no primeiro como no segundo turno.
A presidente candidata à reeleição abriu uma vantagem de sete pontos no primeiro (37 a 30%) e diminuiu para apenas dois a vantagem de Marina no segundo turno (46 a 44%), que chegou a dez pontos (50 a 40% em agosto), mostrando agora uma situação de empate técnico.
Dilma passou a liderar em todas as regiões do país, crescendo em todos os segmentos, a duas semanas do encerramento oficial da campanha. Ao mesmo tempo, a rejeição a Dilma, que chegou a 35, agora se estabilizou em 33%, enquanto a de Marina dobrou de 11 para 22%.
Nenhuma notícia foi boa para Marina desta vez: a vantagem dela sobre o tucano Aécio Neves, que chegou a ser de 19 pontos (34 a 15%), agora caiu para 13 (30 a 17%). A candidata do PSB caiu 4 pontos no sudeste, 4 entre as mulheres, 4 entre os católicos, 5 nas cidades médias e 6 na faixa de eleitores entre 25 e 34 anos, segundo o Datafolha.
O que aconteceu para justificar esta queda? Além do bombardeio de Dilma e Aécio contra a sua candidatura, percebe-se agora que Marina foi mais um fenômeno midiático do que político, que já não se sustenta. E a velha mídia com seus poderosos porta-vozes, que têm mais colunas do que a Grécia Antiga, voltou a acreditar que Aécio é ainda seu melhor candidato para tirar o PT do Palácio do Planalto, embora pelos números atuais só um milagre ou uma nova onda possa leva-lo ao segundo turno.
Escrevo tudo isso por dever de ofício, mas confesso aos leitores que ler tanta pesquisa é demais para a minha cabeça. Chego a me perguntar: para que serve esta banalização das pesquisas, uma atrás da outra, sem parar? Será que os institutos não acreditam nos seus próprios números e sempre resolvem fazer mais uma para ver se os resultados mudam? Será que o eleitor está mesmo interessado nestes levantamentos frenéticos ou eles só servem para orientar os financiadores de campanhas e os especuladores da Bolsa de Valores?
A esta altura, como podem notar, tenho mais perguntas a fazer do que respostas a dar. Conto com a ajuda dos comentaristas do Balaio para tirar estas minhas dúvidas.
A presidente candidata à reeleição abriu uma vantagem de sete pontos no primeiro (37 a 30%) e diminuiu para apenas dois a vantagem de Marina no segundo turno (46 a 44%), que chegou a dez pontos (50 a 40% em agosto), mostrando agora uma situação de empate técnico.
Dilma passou a liderar em todas as regiões do país, crescendo em todos os segmentos, a duas semanas do encerramento oficial da campanha. Ao mesmo tempo, a rejeição a Dilma, que chegou a 35, agora se estabilizou em 33%, enquanto a de Marina dobrou de 11 para 22%.
Nenhuma notícia foi boa para Marina desta vez: a vantagem dela sobre o tucano Aécio Neves, que chegou a ser de 19 pontos (34 a 15%), agora caiu para 13 (30 a 17%). A candidata do PSB caiu 4 pontos no sudeste, 4 entre as mulheres, 4 entre os católicos, 5 nas cidades médias e 6 na faixa de eleitores entre 25 e 34 anos, segundo o Datafolha.
O que aconteceu para justificar esta queda? Além do bombardeio de Dilma e Aécio contra a sua candidatura, percebe-se agora que Marina foi mais um fenômeno midiático do que político, que já não se sustenta. E a velha mídia com seus poderosos porta-vozes, que têm mais colunas do que a Grécia Antiga, voltou a acreditar que Aécio é ainda seu melhor candidato para tirar o PT do Palácio do Planalto, embora pelos números atuais só um milagre ou uma nova onda possa leva-lo ao segundo turno.
Escrevo tudo isso por dever de ofício, mas confesso aos leitores que ler tanta pesquisa é demais para a minha cabeça. Chego a me perguntar: para que serve esta banalização das pesquisas, uma atrás da outra, sem parar? Será que os institutos não acreditam nos seus próprios números e sempre resolvem fazer mais uma para ver se os resultados mudam? Será que o eleitor está mesmo interessado nestes levantamentos frenéticos ou eles só servem para orientar os financiadores de campanhas e os especuladores da Bolsa de Valores?
A esta altura, como podem notar, tenho mais perguntas a fazer do que respostas a dar. Conto com a ajuda dos comentaristas do Balaio para tirar estas minhas dúvidas.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Dilma, Bachelet, a CNV e a Lei da Anistia

Discretos aos holofotes, os militares brasileiros estão em polvorosa na caserna, diante do anúncio da presidente do Chile, Michelle Bachelet, de que pretende anular a Lei da Anistia daquele país.
É que a presidente Dilma se inspirou no exemplo do Chile para criar a Comissão Nacional da Verdade, e os oficiais, veladamente, se perguntam se a petista não fará o mesmo por aqui sobre a Anistia.
A Lei de Anistia chilena foi sancionada pelo general Augusto Pinochet em 1978 e deu imunidade aos militares acusados de crimes de 1973 a 78. Em 2003, o então presidente Ricardo Lagos criou a Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura, para investigar esses crimes.
A decisão de Bachelet de revogar a Lei da Anistia deu-se dia 11 de setembro, com os atentados que abalaram Santiago. O governo suspeita de militantes do falecido Pinochet. Bachelet pediu urgência ao Parlamento na tramitação de projeto de 2006 que revoga a lei. Se isso ocorrer, ela terá poderes para investigar e processar militares.
VISITA
Em abril, integrantes da Comissão da Verdade do Brasil visitaram o Chile e se reuniram com o ex-presidente Lagos. Como notório, o relatório final da CNV será entregue em dezembro à presidente Dilma.
Os militares – entre eles altos oficiais – nunca aceitaram a instalação da CNV, e torcem o nariz para Dilma. Uma tentativa de revogar a lei da Anistia pode causar instabilidade.
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