domingo, 1 de setembro de 2013

Pressionado, jornal O Globo admite que errou ao apoiar Golpe de 1964

Durante os protestos que eclodiram em junho, a Rede Globo e veículos afiliados foram alvo dos manifestantes em diversas cidades
O jornal O Globo publicou neste sábado em seu site um texto no qual admite que errou ao apoiar o Golpe de 1964, que deu início à ditadura militar no País. Pressionado pelos protestos de junho, o jornal decidiu divulgar o documento, que tornou públicas discussões internas das Organizações Globo sobre o episódio. “Não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio (ao golpe) foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original”, diz o texto, que pode ser lido na íntegra no site Memória, que reúne a história de O Globo.
Durante os protestos que eclodiram em junho, a Rede Globo e veículos afiliados foram alvo dos manifestantes em diversas cidades. Eles acusavam a empresa de ter apoiado editorialmente a ditadura militar. Atos contra prédios da emissora foram registrados em todo o País. Ao divulgar o texto hoje, O Globo afirma que “governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas”.

“A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História. O Globo, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil e o Correio da Manhã, para citar apenas alguns”, diz o texto.
O documento faz um resgate da situação política antes do golpe e relembra que, no dia 31 de março de 1964, teve sua sede invadida por fuzileiros navais comandados pelo Almirante Cândido Aragão, do “dispositivo militar” de João Goulart, como se dizia na época.

“Naquele contexto, o golpe, chamado de ‘Revolução’, termo adotado pelo O Globo durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter no Brasil uma democracia. Os militares prometiam uma intervenção passageira, cirúrgica. Na justificativa das Forças Armadas para a sua intervenção, ultrapassado o perigo de um golpe à esquerda, o poder voltaria aos civis. Tanto que, como prometido, foram mantidas, num primeiro momento, as eleições presidenciais de 1966”, explica o texto do jornal.

O jornal também afirma que Roberto Marinho, na época presidente das Organizações Globo, “sempre esteve ao lado da legalidade”. “Cobrou de Getúlio uma constituinte que institucionalizasse a Revolução de 30, foi contra o Estado Novo, apoiou com vigor a Constituição de 1946 e defendeu a posse de Juscelino Kubistchek em 1955, quando esta fora questionada por setores civis e militares. Durante a ditadura de 1964, sempre se posicionou com firmeza contra a perseguição a jornalistas de esquerda: como é notório, fez questão de abrigar muitos deles na redação do Globo.”

O texto de O Globo termina afirmando que a História “é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los”. “O Globo não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país”, afirma o jornal.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.


A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.




SP: em protesto, manifestantes jogam estrume em prédio da Globo


Manifestantes protestaram em frente ao prédio da Globo em São Paulo Foto: Marcelo Brammer / Brazil Photo Press
Manifestantes protestaram em frente ao prédio da Globo em São Paulo
Foto: Marcelo Brammer / Brazil Photo Press

Manifestantes picharam os muros e lançaram estrume de cavalo no prédio da Rede Globo na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo, nesta sexta-feira, em um protesto contra a emissora. 

De acordo com a PM, cerca de 120 pessoas se reuniram no local por volta das 21h. Apesar das pichações e do estrume lançado, não houve depredação no prédio nem confronto entre manifestante e polícia


Segundo a polícia, os manifestantes picharam também outros pontos, como viadutos, com mensagens de ordem contra a emissora. 




RJ: protestos se unem e manifestantes apedrejam prédio da Globo

Após horas de manifestações pacíficas, teve início confronto entre populares e policiais militares


Coquetéis molotov foram lançados e a porta do prédio foi arrombada Foto: Daniel Ramalho / Terra
Coquetéis molotov foram lançados e a porta do prédio foi arrombada  
Duas manifestações complicavam o trânsito na zona sul do Rio desde o fim da tarde. A primeira ocorria perto da residência do governador Sérgio Cabral (PMDB), na esquina da avenida Delfim Moreira com a rua Aristides Espínola, no Leblon. Na outra, moradores da Rocinha, na Gávea, protestavam por causa do desaparecimento de um morador da comunidade. O grupo formado por cerca de 100 manifestantes, de acordo com a Polícia Militar, chegou a fechar a autoestrada Lagoa-Barra por alguns minutos.
Depois, eles seguiram em passeata até o Leblon, onde se juntaram ao grupo que estava nas proximidades do prédio onde mora o governador. De acordo com a PM, cerca de 700 pessoas estavam no local de forma pacífica. O trânsito ficou complicado para quem ia para a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, devido ao fechamento da avenida Delfim Moreira.

O governador Sérgio Cabral, por meio da assessoria, divulgou nota sobre a manifestação. "A oposição busca antecipar o calendário eleitoral criando constrangimentos à governabilidade. O governador, legitimamente eleito por 67% dos votos no primeiro turno, nas últimas eleições, reitera o seu compromisso de continuar a manter o Rio de Janeiro na rota do desenvolvimento social e econômico."

Após deixarem a porta da casa de Cabral, o grupo saiu em passeata pelas ruas do Leblon. No caminho, apedrejaram um prédio administrativo da Rede Globo. Coquetéis molotov foram lançados e a porta do prédio foi arrombada. Seguranças lançaram água de extintores no grupo que tentava forçar a entrada no local. Um carro do SBT foi pichado. 

Além dos danos no prédio da Globo e em um veículo do SBT, ônibus foram pichados com a inscrição "Fora Cabral". Uma placa da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foi incendiada na rua Mario Ribeiro, na Gávea. 

A polícia não acompanhava o grupo e não houve qualquer repressão ao princípio de confusão. Por volta das 22h45, começou um confronto. Manifestantes montavam barricada e atacavam policiais militares na rua de Cabral e na avenida General San Martin com pedras e morteiros. A PM revidava com bombas de gás, mas se mantinha apenas na rua de Cabral, sem avançar.

Bancos também foram depredados, na avenida Ataulfo de Paiva. A Tropa de Choque foi chamada. Ainda não há informações de feridos. 



Rio: manifestantes protestam contra a Globo e entram em confronto com PM


Homem tenta se proteger de policial durante protesto contra a Rede Globo no Rio de Janeiro Foto: Daniel Ramalho / Terra
Homem tenta se proteger de policial durante protesto contra a Rede Globo no Rio de Janeiro  

Dezenas de manifestantes ligados aos grupos Black Blocs e Anonymous, que participaram de manifestação contra a Rede Globo na noite desta quarta-feira no Rio de Janeiro, entraram em confronto com a Polícia Militar (PM). Eles saíram da frente do prédio da emissora, onde estavam concentrados, e bloquearam a rua Jardim Botânico, uma das principais vias da zona sul carioca. A Polícia Militar interveio e houve um princípio de tumulto quando um manifestante foi detido e os policiais tentaram dispersar o grupo com jatos de gás de pimenta.

Durante a manifestação, um ciclista foi atropelado na entrada do túnel Zuzu Angel. O motorista do carro parou para prestar socorro, e a vítima, com ferimentos leves, foi atendida por uma ambulância. Ela passa bem.

Policiais usando capacetes com viseira e escudos tentaram dispersar os manifestantes e liberar a rua Jardim Botânico. Por causa do protesto, um grande engarrafamento aconteceu no local. Depois de marcharem pelas ruas do Leblon e da Gávea, protestando em frente à 15ª DP, os manifestantes retornaram para a Globo.

A manifestação foi organizada nas redes sociais pelo Black Blocs e pelo Anonymous com o objetivo de protestar contra a forma como a Rede Globo vem cobrindo os atos públicos pelo País, que seria tendenciosa e incompleta, segundo os grupos.

No fim do protesto, alguns manifestantes caminharam até a avenida Delfim Moreira, onde acampa o grupo Ocupa Cabral, e afirmaram que iriam passar a noite ali.

Protestos mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.


A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.


SP: protesto por democratização da mídia reúne 500 em frente à Globo

Manifestantes trocaram o nome da ponte estaiada que leva o nome do publisher da Folha por Vladimir Herzog

Cerca de 500 manifestantes ligados a vários movimentos sociais participaram, na noite desta quinta-feira, de um protesto pela democratização da mídia em frente à sede da Rede Globo, na zona sul de São Paulo Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Cerca de 500 manifestantes ligados a vários movimentos sociais participaram, na noite desta quinta-feira, de um protesto pela democratização da mídia em frente à sede da Rede Globo, na zona sul de São Paulo 
Cerca de 500 manifestantes ligados a vários movimentos sociais participaram, na noite desta quinta-feira, de um protesto pela democratização da mídia em frente à sede da Rede Globo, na zona sul de São Paulo. Durante o ato, um grupo pichou críticas à emissora nos muros, mas não houve confronto com a Força Tática da Polícia Militar, que fazia a segurança ao redor do local.
Marcada para ocorrer às 17h, a manifestação só começou duas horas e meia depois, quando chegaram parte dos manifestantes que participaram mais cedo do protesto geral convocado pelas centrais sindicais na avenida Paulista. Com faixas e cartazes com críticas à imprensa, o grupo rodeou a emissora e chegou a bloquear a pista local da marginal Pinheiros, no sentido Castello Branco, por cerca de meia hora.
Quando o protesto chegou à altura da ponte Octávio Frias de Oliveira, conhecida como ponte estaiada, um grupo colou um adesivo sobre a placa que leva o nome do jornalista, publisher do jornal Folha de S.Paulo (morto em 2007), substituindo-o pelo nome do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975 pela ditadura militar.

Ainda na ponte Octávio Frias, uma faixa da Marcha Internacional das Mulheres pedia mais respeito às pessoas do sexo feminino na abordagem na mídia.

Outras intervenções ocorreram no caminho da passeata, que apesar do clima tenso, ocorreu de forma pacífica. Em alguns relógios urbanos instalados pela zona sul, adesivos com a frase "ocupe a mídia" substituíram os anúncios publicitários. 

Desde junho, quando ocorreram os protestos pela redução da tarifa do transporte publico e contra a Copa fãs Confederações, grandes veículos de comunicação foram alvo de protesto, sendo que os jornalistas da Rede Globo chegaram a ser agredidos em algumas ocasiões e a cobrir as manifestações sem a identificação da emissora. Nesta quinta, uma equipe da TV cobriu o protesto, mas não houve registro de violência contra os jornalistas, que também dispensaram identificação em seus microfones.