sexta-feira, 15 de abril de 2011

A oposição envelheceu

 Sem nenhum preconceito, até porque não sou nenhuma menininha, mas o fato é que a oposição envelheceu.
Deixou que Lula e o PT lhe roubassem os principais programas e bandeiras, ficou atordoada com os avanços sociais de Lula e não soube ir além, consome excesso de energia em disputas internas e, como disse o ex-presidente Itamar Franco à revista "Época", está com a bússola avariada, sem norte e sem saber para que lado o Leste fica.
Um dos problemas, segundo o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo para a revista "Interesse Nacional" antecipado pela Folha, é que a oposição tem de parar de perseguir a simpatia e o voto do que chamou de "povão" e também dos movimentos sociais tradicionais para passar a investir na nova classe C e na classe média ainda resistente ao petismo. Ele não disse, mas é como se dissesse, que ficar atrás dos beneficiados do Bolsa Família e de centrais e movimentos comprados por Lula seria como dar murro em ponta de faca.
Foi um deus-nos-acuda no PSDB, que vive tentando exorcizar o fantasma do elitismo, e no Dem e no PPS. Até o cordato senador Aécio Neves, candidato a candidato em 2014, discordou, lembrando que, em Minas, as classes C e D são tucanas.
Olha só a coincidência: Itamar e Fernando Henrique são octogenários (FHC faz 80 em junho) e são eles os provocadores, os que lançam idéias, críticas, debates. Como também fazem Roberto Freire, do PPS, que está a um ano dos 70, e Jarbas Vasconcelos, da dissidência do PMDB, que já passou disso.
Uma boa pergunta, portanto, é: cadê os jovens da oposição? Afora um ou outro, como o deputado ACM Neto, do DEM, que está se esfalfando, onde estão os outros? Fazendo o quê? Defendendo o quê?
O PT reclamava muito de como era duro ser oposição, mas chorava de barriga cheia. Na verdade, nunca foi tão duro ser oposição como agora. E, com o PSD do Kassab comendo pelas bordas, sempre pode piorar.
Eliane Cantanhêde Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folha em Brasília.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Reveja lista de vítimas do tiroteio em escola de Realengo, no Rio

12 crianças morreram em ataque na manhã desta quinta-feira (7).
Atirador se matou após ser alvejado por policial em escola da Zona Oeste.

Do G1 RJ

A Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio informou que 12 crianças, 10 meninas e 2 meninos, morreram no ataque a uma escola em Realengo, na Zona Oeste do Rio, na quinta-feira (7). Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, atirou contra alunos em salas de aula, foi atingido por um policial e, segundo a polícia, suicidou-se em seguida. Abaixo, saiba mais sobre as vítimas do atirador:


Luiza Paula da Silveira, 14 anos


Luiza Paula da Silveira (Foto: Bernardo Tabak/G1)Luiza Paula da Silveira (Foto: Bernardo Tabak/G1)
Luiza estava no 8º ano do Ensino Fundamental e sonhava em ser modelo fotográfico. "Ela adorava tirar fotos e colocar no Orkut", contou a tia dela, Cristiane da Silva Machado Gomes. Luiza era fã de Ivete Sangalo. "Tem uma música da Ivete, que fala em sol, terra, mar, que ela adorava. E essa música dizia: 'Quando a chuva passar...' Parece que ela sabia o que ia acontecer, e ela queria deixar essa mensagem. Acho que é essa música que vai ajudar a consolar a gente."
A estudante fazia aulas de inglês e adorava ir à academia de ginástica. "Ela estava malhando com a prima, que é minha filha. As duas estavam querendo ficar em forma para o aniversário de 15 anos dessa minha filha", disse a tia.
Karine Chagas de Oliveira, 14

Karine Lorraine Chagas de Oliveira (Foto: G1)Karine Lorraine Chagas de Oliveira (Foto: G1)

Karine era uma menina muito carinhosa, de acordo com Ana Paula Oliveira dos Santos, tia da estudante. Ela diz que a sobrinha vivia com a avó desde pequena. "Minha mãe está em estado de choque. Ela cria a Karine desde dois anos de idade", conta.
A aluna do 8º ano da Escola Municipal Tasso da Silveira tinha acabado de começar a praticar atletismo na Escola Militar, em Sulacap.
"Ela fazia atletismo em um curso oferecido pela PM. Na seman que vem, ela iria pariticpar de uma prova no Estádio Célio de Barros, no Maracanã", conta Débora Martins, tia de Karine. "Ela era botafoguense, mas gostava muito do Neymar (jogador do Santos e da seleção brasileira)", acrescenta. "Para continuar praticando atletismo, ela precisava se esforçar na escola. E estava empolgada, tirando boas notas", complementou.
Larissa dos Santos Atanázio, 13


Larissa dos Santos Atanázio, vítima do atirador em Realengo (Foto: Reprodução)Larissa dos Santos Atanázio (Foto: Reprodução)
Larissa era uma menina muito brincalhona, simpática e inteligente. Assim Daniele Azevedo define a prima que foi vítima do atirador na escola em Realengo.
Segundo Daniele, Larissa, que aparece na foto ao lado posando de modelo, estudava na Escola  Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, há dois anos. "Ela gostava muito de ir à aula."

Rafael Pereira da Silva, 14


Rafael Pereira da Silva (Foto: G1)Rafael Pereira da Silva (Foto: G1)
A foto ao lado mostra a imagem de Rafael em uma camiseta feita em homenagem ao jovem estudante, outra vítima da chacina. O pai, Carlos Mauricio Pinto, se emociona ao lembrar do filho. Rafael era aluno do 9º ano da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo. Ele foi um dos dois meninos mortos pelo atirador. As outras dez vítimas assassinadas eram meninas.
"Pela quantidade de pessoas que vieram ao enterro, vocês podem ver que ele era muito querido", disse Wagner Assis da Silva, de 35 anos, irmão de Rafael. "Ele estava tirando o CPF para trabalhar como menor-aprendiz, em uma rede de supermercados. Ele já queria ganhar o dinheirinho dele", acrescentou. "Ele era mais caseiro, jogava muito no computador e gostava de rock. Ele ouvia muito a banda Linkin Park", finalizou.
Samira Pires Ribeiro, 13


Samira Pires Ribeiro (Foto: Reprodução/Ag. O Globo)Samira P. Ribeiro (Foto: Reprodução/Ag. O Globo)
Samira havia entrado este ano na Escola Municipal Tasso da Silveira, de acordo com a irmã dela, Valéria Pires.
A estudante estava no 8º ano e gostava muito de ir às aulas.
A morte deixou a família muito abalada. “Minha mãe está em estado de choque", disse Valéria.

Mariana Rocha de Souza, 12


Mariana Rocha de Souza (Foto: Reprodução)Mariana Rocha de Souza (Foto: Reprodução)
A menina Mariana foi uma das vítimas do assassinado na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo.
"Ela era muito brincalhona, gostava de Restart e Luan Santana. Ela jogava handebol e queimada no colégio e era muito estudiosa", disse o primo de Mariana, Josimar Nunes, de 12 anos.


Ana Carolina Pacheco da Silva, 13
Ana Carolina Pacheco da Silva  (Foto: Reprodução/Ag. O Globo)Ana Carolina P. Silva ( Reprodução/Ag. O Globo)


Ana Carolina foi a última das vítimas a ter o corpo reconhecido. A família da estudante esteve no IML em busca da menina, mas não a reconheceu entre os corpos.
A irmã, Ana Paula, disse que ela estava desaparecida desde a manhã de quinta-feira (7) e que iria continuar procurando por ela pelos hospitais da cidade.
Após a confirmação da morte, a família ficou em estado de choque.
Bianca Rocha Tavares, 13


bianca Rocha Tavares (Foto: Reprodução/TV Globo)bianca Rocha Tavares (Foto: Reprodução/TV Globo)
O sonho dela era ser pediatra. Ela gostava muito de crianças", disse o tio da menina, Ricardo Goulart.
Géssica Guedes Pereira, 15


Géssica Guedes Pereira (Foto: Reprodução/TV Globo)Géssica Guedes Pereira (Reprodução/TV Globo)




"Ela jogava vôlei no colégio, gostava de estudar e de dançar funk. Era uma boa colega de sala", disse Camile Nascimento, de 18 anos, irmã de uma colega de turma de Géssica.
Laryssa Silva Martins, 13



Laryssa realengo (Foto: Reprodução/TV Globo)Laryssa S. Martins (Foto: Reprodução/TV Globo)



"A Laryssa era uma menina meiga, tranquila e queria ser marinheira. Ela queria ganhar dinheiro para ajudar o pai, que é aposentado", contou o padrinho de Laryssa, Gerson da Silva, de 47 anos.
Milena dos Santos Nascimento, 14


Milena realengo (Foto: Reprodução/TV Globo)Milena S. Nascimento (Foto: Reprodução/TV Globo)





"O sonho dela era fazer faculdade e ser modelo", disse a tia de Milena, Ana Rosa Nascimento.
Igor Moraes da Silva, 13


igor realengo (Foto: Reprodução/TV Globo)igor Moraes da Sila (Foto: Reprodução/TV Globo)




“O sonho dele era ser jogador de futebol”, conta Walmir de Souza Macedo, coordenador da Escolinha de Futebol Roberto Dinamite, onde Igor jogava. “Ele era franzino por causa da idade, mas tinha qualidade, talento. Começou como lateral e já tinha passado para o meio campo”, acrescenta.

Igor era flamenguista e, em março, foi vice-campeão de um campeonato de futebol realizado no condomínio onde morava. “Ele sempre me fazia companhia para ir ao treino e voltar, pois moro no mesmo condomínio onde ele morava. Para mim vai ser difícil não encontrar mais com ele”, disse Macedo, com a voz embargada. “Na véspera da morte dele, o Igor estava muito feliz, pois a gente tinha acabado de ganhar chuteiras novas na escolinha”, finalizou.



domingo, 10 de abril de 2011

Massacre em escola escocesa levou Grã-Bretanha a proibir armas em 1997

Flores depositadas em memorial pelas vítimas do massacre de Dunblane
Massacre na escola em 1996 provocou comoção nacional na Grã-Bretanha
Um massacre ocorrido numa escola primária da Escócia, em 1996, gerou uma campanha popular que culminou na proibição total das armas de fogo no país, um ano depois.
No dia 13 de março de 1996, o ex-líder escoteiro Thomas Watt Hamilton, de 43 anos, invadiu um ginásio da Escola Primária Dunblane, na cidade escocesa de mesmo nome, e matou 16 crianças e um professor, antes de se suicidar.
As crianças mortas tinham entre 5 e 6 anos de idade. Uma professora de 45 anos também foi morta ao tentar proteger seus alunos. Outras 11 crianças e três adultos ficaram feridos.
O caso gerou comoção no país e levou à criação de várias associações de defesa do controle de armamentos. O ginásio onde ocorreu o massacre foi demolido e a escola foi totalmente reformada.
Abaixo-assinado
Um abaixo assinado pedindo a proibição das armas de fogo no país, que teve apoio do jornal The Daily Mail, um dos mais populares tablóides britânicos, reuniu mais de 700 mil asssinaturas.
A Grã-Bretanha já tinha uma das legislações mais restritivas do mundo em relação à concessão de posse de armas, mas pouco após o massacre na escola, no começo de 1997, o governo britânico estabeleceu a proibição completa da posse de pistolas com calibre superior a 22, seguindo as recomendações de um relatório sobre o incidente escrito pelo lorde Douglas Cullen.
Meses depois, o novo governo trabalhista, que havia recém tomado posse, ampliou a proibição para todas as pistolas, de qualquer calibre.
A lei prevê apenas algumas poucas exceções, como no caso de armas carregadas com pólvora consideradas antiguidades, armas de interesse histórico cujas munições não sejam mais fabricadas ou pistolas de ar.
A Grã-Bretanha tem um dos menores índices de homicídios por armas de fogo em todo o mundo. Segundo as estatísticas oficiais, apenas 43 pessoas foram mortas por armas de fogo no país no ano fiscal de 2009/2010 - 41 na Inglaterra e no País de Gales e apenas 2 na Escócia.
Fonte:BBC

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dilma participa de homenagem a Lula, mas antecipa volta ao Brasil

A presidente Dilma Rousseff confirmou nesta terça-feira (29) presença na cerimônia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o título de “doutor honoris causa” pela Universidade de Coimbra, mas cancelou o restante de sua agenda em Portugal. Após a cerimônia, Lula e Dilma voltam ao Brasil para o velório do ex-vice-presidente José Alencar, que morreu nesta terça-feira (29) A cerimônia em Portugal está marcada para as 10h30 desta quarta (6h30 de Brasília) na Faculdade de Direito da universidade, com término previsto para o meio-dia (horário local). Em decorrência da morte de José Alencar, porém, as programações previstas para a tarde desta quarta-feira foram canceladas. Lula participaria de almoço no Palácio de São Marcos, residência oficial do reitor da Universidade de Coimbra. No final da tarde, Lula teria uma reunião com os alunos brasileiros da universidade. Fonte: G1.

terça-feira, 29 de março de 2011

Dono da Coteminas, Alencar ajudou Lula a superar resistência do empresariado

Do UOL Notícias

Em São Paulo   
  José Alencar Gomes da Silva causou surpresa, à esquerda e à direita, ao aceitar a posição de vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, na campanha de 2002. O que parecia natural oito anos depois, quando o petista deixou o Palácio do Planalto e correu para visitar o amigo internado no hospital Sírio-Libanês, foi um movimento arriscado na época, com suspeição de lado a lado.
A dobradinha surgiu depois de uma articulação entre PT e PL, como um aceno ao empresariado de que a candidatura petista buscava diálogo e ampliação de sua base histórica, na faixa dos 30% cativos. Antes, o então senador pelo PL havia sido sondado pelo também candidato Ciro Gomes (na época no PPS) e pelo PSDB, que teria o ministro da Saúde, José Serra, como preferido para suceder Fernando Henrique Cardoso. Quando explodiu o escândalo do mensalão, sobraram suspeitas de que a aliança foi paga em dinheiro pelo PT.
Alencar seria uma espécie de "avalista" de Lula junto aos investidores --ideia reforçada com o lançamento da "Carta ao Povo Brasileiro", pelo petista, em junho de 2002, na qual ele reafirmou compromissos com a estabilidade econômica. Também pesou para a escolha do dono da Coteminas o fato de ser uma liderança de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. A história de vida sofrida, apesar dos milhões no banco, também serviram para associar as histórias do candidato a presidente com o seu vice.
Ironia do destino. Todo mundo fala que o Lula fez aliança comigo porque eu representava segurança e não risco, justamente para isso que se chama mercado. Hoje, dizem que eu sou o risco. Isso não é estranho?
Alencar, em 11 de setembro de 2005
O então senador cumpriu à risca seu papel durante a campanha. Já no governo, o nacionalista Alencar mostrou-se um defensor ferrenho da queda das taxas de juros --mas seus comentários não abalaram a política econômica ortodoxa do governo, então sob o comando do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Em 2004, Alencar assumiu o Ministério da Defesa, depois de atritos entre o então ministro, o embaixador José Viegas, e militares, por conta da ação destes durante a ditadura. Em 2005, defendeu o governo em meio às denúncias do esquema de pagamento a parlamentares em troca da apoio político no Congresso. Segundo ele, o presidente teria sido "vítima do despreparo" do PT.
Também em 2005, Alencar, católico, deixou o PL e filiou-se ao PMR (Partido Municipalista Renovador), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. Dois meses depois, o partido mudou seu nome para PRB (Partido Republicano Brasileiro).
Alencar renunciou ao Ministério da Defesa em março de 2006 para poder se candidatar à reeleição. Apesar de pressões do PSB e do PMDB, que também tentaram emplacar o vice, o mineiro voltou a fazer dobradinha com Lula.
No segundo mandato do petista, Alencar seguiu na sua batalha contra os juros altos, mas já estava abalado pelos problemas de saúde.

Trajetória empresarial

Alencar nasceu em 17 de outubro de 1931 em Itamuri, na cidade de Muriaé, na zona da mata de Minas Gerais. Era um dos 15 filhos de Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva. Alencar só cursou o ensino fundamental --sua origem humilde era frequentemente lembrada por Lula, que a comparava com a sua própria.
Aos 7 anos, Alencar ajudava o pai em uma pequena loja. Mas começou mesmo a trabalhar aos 14 anos, como balconista numa loja de armarinhos em Muriaé, ganhando 600 cruzeiros por mês. "Eu já praticava responsabilidade fiscal aos 14 anos", dizia, sobre essa época.
Em seguida, mudou-se para Caratinga. Aos 18, estabeleceu-se como comerciante, com a lojinha "A Queimadeira", que vendia tecidos, calçados, chapéus e outros artigos --vinha daí, segundo ele, seu "horror" aos juros altos. Depois da loja, Alencar foi viajante comercial, atacadista de cereais, dono de fábrica de macarrão, atacadista de tecidos e industrial do ramo de confecções.
Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, com um empréstimo da extinta Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) e com o apoio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, fundou em Montes Claros (MG) a Coteminas (Companhia de Tecidos Norte de Minas). A primeira fábrica seria aberta em 1975.
Hoje, a Coteminas, que fabrica as marcas Artex e Santista, é um dos maiores grupos industriais têxteis do país, com unidades em Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina e na Argentina. As 12 fábricas produzem fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis, vendidos no mercado interno, nos Estados Unidos, na Europa e nos países do Mercosul.
Depois de atuar em entidades representantes dos empresários em Minas e de ser vice-presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Alencar candidatou-se ao governo de Minas em 1994, quando foi derrotado pelo tucano Eduardo Azeredo. Em 1998, candidatou-se ao Senado e elegeu-se pelo PMDB com quase 3 milhões de votos. Ele mesmo financiou 99% dos R$ 6,4 milhões que pagaram sua campanha, segundo dados do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) mineiro. Em 2001, transferiu-se para o PL para, um ano depois, chegar à vice-presidência.
Admirador da cachaça, fabricava as marcas Maria da Cruz, Porto Estrela e Sagarana em suas propriedades. Em discurso em abril de 2005, ele disse que o melhor lugar para discutir o futuro do Brasil era um "bar agradável". Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva e teve três filhos, Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia, e cinco netos.  
       

Após 13 anos de luta contra o câncer, José Alencar morre em São Paulo aos 79 anos

Do UOL Notícias
Em São Paulo

  Depois de lutar por mais de 13 anos contra o câncer, o ex-vice-presidente da República José Alencar morreu na tarde desta terça-feira (29), aos 79 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada pela equipe médica.
Nesse período ele foi submetido a 17 cirurgias, perdeu um rim, dois terços do estômago e partes dos intestinos delgado e grosso. Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva, pai de três filhos --Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia -- e avô de cinco netos (em 2001 ele passou a responder a um processo de reconhecimento de paternidade ajuizado por Rosemary de Moraes).
  O quadro clínico do empresário que ajudou a eleger Lula em 2002 e em 2006 piorou três dias antes do último Natal, quando foi internado com urgência após uma nova hemorragia abdominal provocada pelo tumor no intestino. Os médicos contiveram o sangramento, mas não puderam retirar os tecidos comprometidos pela doença, impedindo o político mineiro de se despedir do cargo em Brasília e de participar da posse da presidente Dilma Rousseff.
De dezembro até os primeiros meses de 2011, o ex-vice voltou a ser internado diversas vezes, sempre em situação muito grave (veja histórico abaixo). Cirurgias foram descartadas nas últimas internações devido ao estado delicado de sua saúde.
Em novembro de 2009, Alencar garantiu que se a saúde permitisse seria candidato ao Senado. No início do ano passado, cogitou tentar o governo de Minas Gerais. Porém, em abril, afirmou que não disputaria cargos por estar em tratamento de quimioterapia contra o câncer.
"Decidi não me candidatar a nada. Vou cumprir o meu mandato até o último dia, se Deus quiser, e descer a rampa da mesma forma que subi. Subi a rampa com ele [Lula], vou descer com ele. Ele também não se afastou, vamos juntos", disse na ocasião. Proibido pelos médicos, ficou no hospital enquanto Dilma e seu sucessor, Michel Temer, recebiam o cargo no Palácio do Planalto.
 

Histórico

Os problemas do ex-vice-presidente com o câncer começaram em 1997, quando descobriu dois pequenos tumores malignos no rim direito e no estômago. Na ocasião, Alencar foi operado no mesmo dia.
Submeteu-se a duas cirurgias --em 2000 e 2002-- para tratar de um câncer da próstata. Em 2006, foi a vez de um tumor retroperitonial (atrás da membrana serosa que recobre as paredes do abdome e a superfície dos órgãos digestivos).
Em outubro de 2007 Alencar foi operado novamente do tumor no retroperitônio. Numa revisão da cirurgia em 20 de dezembro, foi detectado um "ponto minúsculo" na mesma região, e os médicos decidiram fazer sessões de quimioterapia para combatê-lo.
Entre 12 e 19 de janeiro de 2008, ficou internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por conta de uma infecção decorrente da quimioterapia. Recebeu alta aparentando fragilidade, mas com otimismo. Na ocasião, disse que queria almoçar em uma churrascaria.
Depois disso, voltou a ser hospitalizado outras vezes para ser submetido a tratamentos de quimioterapia. No dia 26 de julho de 2008, Alencar admitiu em uma entrevista coletiva que estava novamente com câncer. Ele disse a jornalistas, em Brasília, que exames de rotina feitos em São Paulo mostraram "uma recorrência".
Rezem por mim, o negócio está feio
Alencar, em 6 de janeiro de 2008
    Na ocasião, ele descartou a possibilidade de se afastar temporariamente da Vice-Presidência da República.
    Em janeiro de 2009, enfrentou cerca de 17 horas de operação para a retirada de nove tumores na região abdominal. Na mesma cirurgia, os médicos retiraram parte do intestino delgado, outra do intestino grosso e uma porção do ureter, canal que liga o rim à bexiga. Alencar ficou internado 22 dias após a operação.
    Já em maio do mesmo ano, novos exames apontaram o retorno de tumores malignos em "alguns pontos da cavidade abdominal". Mas, no final de outubro de 2009, Alencar disse que o último exame realizado mostrava uma "redução substancial" dos tumores.
    No início de julho de 2010, Alencar deu entrada no hospital Sírio-Libanês para uma sessão de quimioterapia, mas apresentou uma crise de hipertensão e foi internado em seguida. Após três dias, foi diagnosticada uma isquemia (deficiência na irrigação sanguínea) cardíaca, o que estava provocando uma irrigação insuficiente em uma das paredes laterais de seu coração.
    Por isso, foi feita a colocação do stent (dispositivo para dilatar vasos sanguíneos) no coração. Na ocasião, ele também passou por um cateterismo (exame para verificar as condições de vasos sanguíneos).
    Em setembro, o vice-presidente voltou a ser internado para tratar um edema agudo de pulmão. Já no final de outubro, Alencar foi internado com um quadro de suboclusão intestinal.
    No começo de novembro, sofreu um infarto agudo do miocárdio e foi submetido a um novo cateterismo. No dia 27 de novembro, Alencar foi operado para desobstruir o intestino. A cirurgia durou cinco horas e resultou na extração de dois nódulos e 20 centímetros de seu intestino delgado. No final do procedimento, ele sofreu uma arritmia cardíaca, que foi revertida.
    No meio de dezembro, Alencar deixou o hospital após passar 25 dias se recuperando da cirurgia e submetendo-se a sessões de hemodiálise, por conta do comprometimento das funções renais. Em 22 de dezembro, porém, voltou ao hospital, de onde só recebeu alta no dia 26 de janeiro.
    Alencar voltou a ser internado às pressas no dia 9 de fevereiro devido a uma perfuração intestinal. Ele deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no dia 15 de fevereiro e recebeu alta médica 34 dias depois. No dia 28 de março retornou ao hospital em situação considerada crítica e foi internado novamente na UTI.

    Biografia

    Filho de um pequeno comerciante de um vilarejo mineiro, José Alencar Gomes da Silva começou a trabalhar cedo e deixou a família quando tinha 14 anos para empregar-se numa loja na sede do município de Muriaé (MG).
    Em 1947, atrás de um emprego melhor, mudou-se para Caratinga, cidade em que conheceu Mariza, com quem se casou. Aos 18 anos, foi emancipado pelo pai (na época, a maioridade civil ocorria aos 21 anos) e, com apoio financeiro de um irmão, abriu uma loja na cidade.
    Você não sabe o que é a morte, então você não tem de ter medo da morte. Você tem de ter medo é da desonra, dela você tem de ter medo, isso mata você."
    Alencar, em 30 de dezembro de 2007
      Hoje, a Coteminas S.A., controlada pela família de Alencar, é a maior empresa do setor têxtil do país e um dos mais importantes grupos econômicos do Brasil.
      Alencar causou surpresa, à esquerda e à direita, ao aceitar a posição de vice na vitoriosa chapa de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, na campanha de 2002. Quatros anos depois, foi reeleito vice-presidente.
      Em julho de 2010, um juiz da comarca de Caratinga (MG), declarou José Alencar oficialmente pai de Rosemary de Morais, que passou a assinar Gomes da Silva. A sentença faz parte de uma ação de reconhecimento de paternidade ajuizada em 2001.